quinta-feira, julho 03, 2008

Dor...



Já não tenho nada cá dentro… sinto-me vazia de luminosidade, sem sentido, sem esperança… a dor é a minha única companhia nestes momentos de agonia... espero a morte como um momento de piedade… como uma libertação de uma vivência que há muito perdeu a consistência, uma vivência curta, tão previsível que só o seu fim lhe pode conferir alguma imprevisibilidade… recordo-me de, a dada altura da minha existência, presenciar um ser humano que pedia ao céu que lhe fosse concedida misericórdia… nesse momento, não fez sentido… eu não queria, a vida dessa pessoa não lhe pertencia apenas… era de todos… estava imbuída em mim como o meu cheiro, como a minha pele… eu era parte dela e ela de mim… e não entendi… não compreendi o que podia existir de tão horrendo e tão puro ao mesmo tempo, que levasse alguém a suplicar por descanso… algo que de tal forma tomava conta da pessoa que não deixava espaço para mais nada… que tornava o acto de respirar, algo tão inato ao ser humano, como um dos momentos mais dolorosos, mais excruciantes… que sublimam todo um presente…e mais que tudo… aniquilam o futuro… não posso dizer que a minha dor é semelhante à dor dessa pessoa… dor é algo incomparável, algo impossível de se medir… a dor tem como suporte, como instrumento de medida a sensibilidade de cada um… e assim como a dor, a sensibilidade é algo que não se mede… pode talvez fazer-se comparações simplistas, para amenizar a falta de compreensão daqueles que rodeiam o sofrimento… mas nunca é possível ter uma verdadeira noção da dor de um ser… seria para isso necessário que nos libertássemos da nossa pele… e penetrássemos no outro ser… tanto seria diferente… a sensibilidade como tudo o que a ela está subjacente… os sabores seriam diferentes, o tacto, os cheiros, toda uma noção, uma perspectiva do mundo como a que experimentamos, seria algo totalmente díspar… no entanto, apesar da miríade de diferentes modos de sentir, de viver, a dor é algo universal… é uma das linguagens mais básicas, mais simples que existe… talvez seja até a mais bela de todas… a mais significante… a que mais nos desperta para a nossa própria existência e… a que mais constitui motivo para acabarmos com ela...

segunda-feira, junho 30, 2008

Pensamentos...

Vejo-te por entre pequenos pedaços de vidro, grosseiramente colados… como se as mãos de uma criança, que tenta construir um puzzle… reconheço a tua face, mesmo distorcida… mas não oiço a tua voz, não sinto o teu toque… estás longe… sei que estás… sei que estás lá…quero que os meus olhos pousem sobre a tua face… sobre as arestas, sobre os pequenos detalhes que fazem de ti quem és… mas não consigo…o sol bate-me na vista e deixo de ver…procuro-te com as mãos, tentando destruir a barreira que nos separa… quero o teu toque, quero a tua paz e tranquilidade…quero saborear do mel que te compõem, da noção de que faço parte de algo maior… que não me limito aos fracos contornos do meu ser… quero estar contigo… quero ser contigo...

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O vento uiva por entre as árvores...procuras algo sem saber bem o que...passas por rios, por águas revoltas, que não são mais que as lagrimas que conténs no teu coração... tudo és tu... a terra que pisas sem fim, que faz parte de ti, da qual são feitos os teus olhos que guardam sonhos sem fim, as tuas mãos que vão ficando calejadas pelos inumeros momentos em que recorres a elas como o teu único suporte, o teu único método de te manteres um só ser... começas a ficar cansado... as pernas não respondem... o frio entranha-se em ti...sobe pelas tuas costas e aloja-se algo no teu amago sem que percebas...os teus membros deixam de responder... a tua mente refugia-se algures em ti sem que saibas onde... o teu coração já não é... já não existe... há muito que no lugar dele tens um corpo morto... depois de batalhas travadas sem fim, de destroços de ti deixados sozinhos, como minas deixadas ao acaso num terreno bravio... não resistiu... ninguém resistiria... não és... não foste... nem nunca serás...

segunda-feira, junho 23, 2008

Taciturno

No cair da noite, o silêncio avança… como um manto negro e taciturno que se adensa à medida que conquista terreno… penso na vida… no passado…no presente que insiste em não gelar e continuamente transformar-se em passado… afinal, raios, o que é o presente? Só sei defini-lo como o momento entre o passado e o futuro… mas esse momento é tão único, tão frágil, tão inatingível que nem se pode dizer que exista… é um conceito… não passa disso… um axioma, uma hipótese que permite deduzir teorias ou realidades… para mim o presente não é nada… é um empecilho… algo inventado pelo homem que não tem a mínima utilidade… o que interessa fundamentalmente é o passado e o futuro… são estes que contam a história da vida de um homem… que lhe conferem corpo, consistência, matéria…. e o meu passado, o que conta? Sobretudo histórias que prefiro esquecer… histórias de confusão, de contos de crianças misturados com a amarga realidade… histórias que eclipsam o próprio passado… reduzem-no a cinzas… como a fenix… o senão…é que esta só tem uma vida, não renasce… basta pegar nessas mesmas cinzas, lança-las sobre a imensidão do oceano e rogar que essa infinitude de inexistência desapareça com elas… sirva de alimento aos peixes… e uma vez na vida, ou morte, neste caso…seja relevante na história de alguém...

quinta-feira, junho 19, 2008

Toques....

Sinto as mãos irrequietas... como se eu quisesse falar através delas mas não tivesse tempo ou elas não se conseguissem expressar... muitas vezes, as mãos expressam-se bem melhor que a boca... têm uma magia especial...o gesto, o tacto, a cor é algo insonoro... algo delicado, discreto... cheio de novas palavras à espera de ser inventadas, novos conceitos... conceitos que nem precisam dos grilhões da definição... e falam tanto mesmo quando querem estar caladas... revelam segredos, manias, temores, fobias... um mundo de coisas intangíveis... mas no entanto tão poderosas como uma muralha de betão... o inconsciente é a ferramenta mais poderosa que existe dentro de nós... indomável,incontrolável... e as mãos são uma das maiores janela para esse mundo.

sábado, junho 14, 2008

20080612

O vento sopra criando sombras com os ramos das árvores que dançam ao seu sabor... cria sombras chinesas que, como que brincando connosco, transformam as coisas mais simples, nas mais valiosas. A exuberância da natureza instila vida em tudo...nas pedras que, sob o sol, emanam um calor intenso... nas árvores que, de forma totalmente imprevisível, soltam pequenas flores que tocam a nossa pele, como que num gesto de carinho... oiço a água que corre, que inunda de energia a flora ao seu alcance... E em tudo isto, apenas um elemento contrasta, eu mesma... consigo sentir, consigo aperceber-me de toda a vida que me circunda, mas por alguma razão sou imune a ela... não sei se por escolha, se por destino, mas o meu ser é impermeável, estanque, frio... por isso só, triste e inatingível. E o tão vívido contraste entre o mundo que me rodeia e o meu ser só contribui para a minha total aniquilação... só me faz sentir mais estrangeira neste mundo... é como uma mancha negra de sujidade... distingue-se de forma muito mais intensa num tecido branco que num cinzento.
O que devo eu então fazer? Apartar-me da vida? Afastar-me dos passados, presentes e futuros, numa vã tentativa de fugir de mim mesma?
Entretanto a natureza não desiste, a vida não se rende... continua a deixar cair sobre o meu colo, coberto com um vestido branco, pequenas flores amarelas que são, ou eram, curiosamente, a minha cor predilecta em criança... uma... duas... três... já não consigo contar... alguém insiste em não me deixar indiferente...todos os dias tenta de diferentes formas... seguro, impassível, inquebrável... numa palavra, persistente... será ele mais que eu?

20080607

Posso afirmar que conheço bem Lisboa. Conheço as suas ruas, as suas avenidas, os seus costumes e festas. Mas será que alguma vez parei para a ouvir? Será que deixei que me contasse os segredos que encerra em sí? As histórias que as paredes, as calçadas, os lampiões guardam? Tanta história deve Lisboa conhecer...histórias de amor, de sofrimento, de conflitos, de pessoas…em suma. A natureza humana é das histórias mais ricas que existe. É extremamente complexa, extremamente condimentada...cheia de pimenta e açafrão. Séculos e séculos de pessoas certamente que deixaram marcas na cidade. Quem sabe se as ruas não são pavimentadas a esperanças e sonhos? Se as paredes não são pintadas da cor do amor, da amargura ou da alegria? E os cheiros, será que também esses contêm indelevelmente a nossa marca? A marca de desconhecidos, de anónimos cuja vida fica impregnada na cidade? E para os restantes animais? Como será Lisboa para eles? Será que tem o mesmo cheiro, a mesma textura, a mesma história? Ou é uma história completamente diferente, composta por elementos dos quais nem temos conhecimento?
E eu, que marca deixo em ti, Lisboa?

terça-feira, junho 03, 2008

Viver...



Quero viver numa fotografia…tirar uma fotografia minha e entrar lá para dentro… esquecer-me de mim… existir num pedaço de papel onde o tempo não passa, onde não há dilemas, onde não há alegria ou sofrimento excepto o que ficou registado…anseio por uma vida bidimensional onde é tão mais seguro viver… não há cheiros nem tacto… mas há cores… há uma réstia de vida… afinal, não se resume toda a vida a fotografias que se desenrolam como os grãos de areia que atravessam o estreito de uma ampulheta? Porque não então fugir para uma? Uma escolhida especialmente para esse efeito… com alegria, com melancolia, mas sem sofrimento…em que esteja de costas…defronte para uma praia e todo esse momento fique congelado para o sempre… existir para sempre… nesse cantinho de papel...

domingo, junho 01, 2008

Para trás....


O meu ser é como uma folha que cai da arvore no Outono…já nasceu, cresceu…já foi viçosa e cheia de vida…agora só o fraco caule a prende à realidade…a seiva já quase nem percorre os débeis filamentos que me mantêm como uma só estrutura…um só ser…sou morta…e a verdade que guardo em mim aumenta a distância para o abismo…para o momento em que fria, caio no meio do negrume, no meio do desespero e do esquecimento…para passar a ser lixo ou então pisada, destruída, aniquilada…depois talvez o vento me leve…talvez apague da vida todos os momentos e as memórias que me acompanharam…talvez traga mais vida ao rasto de morte deixo para trás…às folhas que me rodeavam…às arvores que me tratavam como uma filha…ao pássaro que todos os dias de manha me cumprimentava e me deixava sentir a suavidade das suas penas…que brindava a minha simples existência com um fugaz lampejo de quietude e de tranquilidade. Espero pacientemente o momento em que suavemente me desprendo do pouco que me sustêm e finalmente olho para trás e esqueço o que passei, o que senti, esqueço que alguma vez a vida fez parte da minha história…recuso-me a ter coração, a agitação que o aflige é incontrolável…sinto-me como um pequeno barco que se afunda num mar de tormenta, num mar de solidão e silêncio…de vazio de sentido…sem rumo, perdido…nem a lua tenho como companhia…nos raros momentos em que se deixou ser vista por mim, perguntei-lhe o porque de tudo isto…o porque de a vida ser assim…o porque de a felicidade ser apenas o reflexo da tristeza num espelho…uma não existe sem a outra…e respostas…essas nunca tive…não passaram de sussurros, de ruídos incompreensíveis…talvez numa tentativa de me enganar…de me fazer crer que era possível haver um depois…mas esse tempo já se esgotou…só me basta esperar o inevitável...deixar de respirar...

quinta-feira, maio 15, 2008

Saudades



Tenho saudades do campo…de passear sem limites, sem preocupações…de correr, de andar sem rumo…de cair na terra, rebolar-me e saborear a vida na palma das minha mãos…na realidade só encontro a minha essência, a minha razão de existir no campo…no meio do chilrear dos pássaros, numa caminhada debaixo de uma torrente de chuva, num trocar de olhar com uma ovelha…só ai a vida me toca…me passa por entre os dedos…me queima a pele…me mostra que a minha existência faz tanto parte do grande plano como uma flor pela qual passo ou num lago onde me detenho…e é essa tranquilidade de existir que sinto…essa noção de que no fundo, tudo faz sentido, tudo faz falta…e que, na realidade, existir é o maior privilegio porque me permite contemplar tudo o que existe…só na existência de tudo…a minha faz própria sentido...


quinta-feira, maio 08, 2008

Escorre....

O tempo passa estupidamente alheio a tudo o que o rodeia…Tentamos interferir nele, fazer com que se mova mais rápido …ou mais devagar, consoante a nossa vontade…mas ele continua…sempre igual a si mesmo…sem perdoar a nada nem a ninguém…O sol nasce…põe-se…e já nos habituamos a esse ciclo sem fim, que, à excepção de algumas nuances, se mantém inalterável de tal forma, que um dia acordamos, olhamo-nos no espelho, e reparamos que já nos resta pouco tempo…afinal de contas, todos guardamos religiosamente uma pequena mão cheia de tempo…que é limitado…e que muitas vezes nem sequer conseguimos evitar que nos fuja pelos dedos…com frequência, temos até os dedos afastados e ele escorre por entre eles como água…Que andamos nós a fazer com o que nos resta?

terça-feira, maio 06, 2008

Não sei porque...

Não sei porque escrevo....talvez pensem que escrevo para ser 'ouvida' por alguém...outros poderão pensar que o faço por catarse, como uma forma de afastar de mim o infindável negrume que me circunda e atormenta. Para ser sincera, não sei porque escrevo, não consigo nunca chegar a conclusões, nem sequer a soluções, após rever os meus escritos. Talvez escreva para afirmar que existo...que a vida que me é roubada na realidade existe algures, nem que num mísero pedaço de papel. Perguntam vocês se um pedaço de papel pode constituir prova da existência de alguém....Não sei, mas também não sou a pessoa mais adequada para responder a essa questão. Só posso atestar que tem sido essa personagem de papel, frágil, inacessível, instável, que me ajuda a acreditar que ainda vivo e respiro…É pateticamente a única forma que encontro de existir...

quarta-feira, abril 23, 2008

Medições...outras coisas mais...

Porque será que somos conduzidos a medir tudo o que nos rodeia? Porque medimos tão bem o tempo, o dinheiro, a felicidade, tudo? Qual a razão obscura que nos leva a ser morbidamente obcecados pela necessidade de medir? Na realidade…a medição só faz sentido na comparação…para quê me interessa medir algo se não o posso comparar com nada? Simplesmente não faz sentido… O que nos conduz à raiz da questão…Como seria o ser humano se apenas existisse um espécime em toda a Terra? Será que seria igualmente obcecado em medidas? Será que o controlo seria algo tão importante como é nos dias de hoje? Ou será que era alguém mais desprendido, mais tranquilo? Não sei…o que sei é que seria infinitamente mais infeliz…afinal de contas o ser humano é um ser social por natureza…pode estar sozinho, mas tem que criar raízes…tem que ter algo familiar, que o conforte…É curioso pensar que nós, como seres humanos, procuramos amizades noutros animais…gostamos de gatos, cães, ratos, cobras…sei lá…Até nos desenhos animados para crianças, vemos que essa ideia está subjacente…Por exemplo, no filme 'Madagascar', os animais de diferentes espécies são amigos…temos uma girafa, um leão e uma zebra…que confessemos…não são a combinação mais frequente no mundo da selva real…mas no entanto, o ser humano necessita criar laços, até com outras espécies…será que é porque pensa encontrar ai uma razão para a sua existência? Será?

sexta-feira, abril 18, 2008

Sabores...

Um sopro passou por mim...não sei o que fez, não sei o que deixou ou levou...mas não fiquei igual...o meu coração já não bate sozinho...bate ao mesmo ritmo de todos os relógios do mundo...bate ao mesmo ritmo com que os grãos de areia atravessam pacientemente a passagem para o outro precipício...olho para dentro e sinto vertigens...tenho mil mundo cheios de sonhos, de pimenta e sal, prontos para brotar...mas para quê? para a aridez da vida? para o terrível buraco negro que as espera cá fora...capaz de tudo sugar, alegria, coragem, esperança? quero poupar o meu imaginário a esse sacrificio...na vertigem, perco as forças...quero saborear tudo ao mesmo tempo...mil cores, mil cheiros, quero beber milhoes e milhoes de sensações e encerrar cada uma numa caixinha, catalogada, para saber verdadeiramente a que sabe a vida...conheces tu, o sabor da vida? Sabes se é adocicada? Amarga? Se te faz cocegas no estomago ou te dá dores de barriga? Eu não sei...Sabes tu?

segunda-feira, março 03, 2008

Ruídos Silenciosos...

Quando penso em quem sou quando estou com outras pessoas fico intrigada...olho para mim e não me reconheço...pareço ser uma pessoa com problemas, mas que ri, que brinca, que encerra alguma magia dentro de sí...nada como a imagem que tenho de mim mesma...uma pessoa triste, desesperançosa, que suga toda a alegria de quem a rodeia...sou um enigma para mim mesma pela simples razão que não sei quem sou...não sei de que material sou feita...reconheço a minha face num espelho...sim...posso dizer mil características minhas, que apenas me definem como cidadã...o meu número de BI, o meu número de contribuinte...posso também citar outras características...físicas, por exemplo...posso dizer que tenho cabelo castanho, olhos rasgados, igualmente castanhos...mas quando começo a tentar descrever-me psicologicamente, não tenho palavras...se me extraissem o involucro e me colocassem em frente a um espelho, penso que não saberia quem era...não sei que forma tem o meu ser interior...não sei sequer se tenho limites, se não passo de extensão de outros seres...posso ser como o ar, que se expande com o calor...posso fazer parte de mil e um seres, e assim constituir a natureza...sei lá...posso até não existir...bem...segundo decartes, o simples facto de eu estar a escrever estas palavras é prova de que existo...será realmente assim? Não posso eu estar a viver na imaginação de um ser pensante? Não pode a minha pele, rosto, corpo, pensamento, ser apenas um mero fruto de uma mente fértil? Assim sendo, os meus pensamentos não passariam de pensamentos de outro ser qualquer...e eu não tinha qualquer existência...e os sentimentos? A dor? Não pode ser utilizada como critério para avaliar a minha existência? Será que se eu sinto, eu existo? Ou até mais especificamente, será que se eu sofro, eu existo? Será que a dor não passa de uma prova menos feliz de que existo? E se eu não sofrer? E se eu não sentir? E se eu não pensar? Não existo? O que é existir afinal? Algo que só posso saber que acontece como consequência de algo? Não o consigo definir de uma forma simples e clara, sem recurso à observação de 'sintomas' de que existo? Existir? O que é? Alguém sabe? O que acontece quando não existo? Como é que diferencio o não existir do existir? Posso eu dizer que se não penso, não sinto, não respiro, não existo? Como posso eu chegar a tal conclusão? Como é que sequer posso alguma vez ter consciência de que não existo? Bem...acho que é melhor ir reflectir sobre o estado do tempo...ou que filmes vão passar na televisão hoje...Estou cansada de existir por hoje...

sábado, fevereiro 23, 2008

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Guardas o quê? Sonhos?



O que guardas tu no cantinho do teu ser? Que sonhos, que ilusões feitas de algodão? Que gritos e sorrisos? Que nuvens e sol radiante? Porque és tu essa mistura feita de lágrimas e de riso? Porque és tu criança livre a correr num prado cheio de flores e ao mesmo tempo, idosa amargurada defronte da lareira? Que dualidade encerras tu, minha pequena, na tua tão estranha cabeça? Sim, cabeça estranha a tua…feita de espigas de trigo coladas com mel…repleta de pássaros de todas as cores que voam sem rumo mal encontram um buraquinho por onde fugir…deslizam com tanta velocidade e tão perto que quase nos levam as ideias…agarra-as…agarra-as…põe o chapéu, vá…rápido que lá vêem eles…não os deixes levar as tuas ideias…deixa-os levar apenas o teu coração...

segunda-feira, janeiro 28, 2008

raios

Olho para mim...e apenas venho restos...restos de alguma coisa que fui mas já não sou...nem consigo sequer ter uma ideia vaga do que fui...é como se o meu interior fosse um lugar vazio...com uma memória aqui e ali de alguma coisa...mas completamente abandonado, perdido, esquecido...e ao mesmo tempo detesto-me...detesto este involucro que insiste em existir quando já está morto...quando não há esperanças...não há nada, nada, nada para mim...nem sei se posso utilizar a palavra mim, tendo em conta que mim já não existe...talvez eu na realidade já tenha morrido e ainda não tenha a noção dessa realidade...serei um fantasma? antes fosse...assim não sofria tanto...quero ser um fantasma...quero ser outra coisa qualquer...não quero definitivamente ser a Susana...raios partam com a criatura...que lhe aconteca algo e ela se esfume...se desintegre...fogo...que já não posso com a mulher...odeio-me...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Palavras ....para Quê?!?

Ao longo de todo estes meses e, porque não, anos, tenho partilhado o meu ser, os meus pensamentos com a imensidão do universo virtual que entende português…bem…imensidão pela grandeza…não pela dimensão populacional…mas passando à frente…o meu intuito neste acto louco e sem qualquer explicação tem sido unicamente proporcionar ao mundo exterior uma visão laparoscópica do intricado que constitui a minha mente. No entanto, após uma reflexão profunda percepcionei que não tenho sido bem sucedida nesta demanda sem sentido…Assim sendo, recordando um provérbio chinês de outrora 'Uma imagem vale mais que mil palavras', decidi adoptar uma estratégia cirúrgica, com recurso a suporte visual, numa tentativa de provocar um impacto mais relevante neste mundo onde me encontro.
Há muito que tento, sem sucesso, mostrar ao exterior a complexidade da minha mente e a grande e brutal carga de trabalhos que acarreta…isto porque, visto de fora, poder-se-á cair na tentação de achar que complexidade na mente humana é algo bom e positivo…e como vivo dia-a-dia com o impacto negativo dessa realidade, pretendo provar o 'inferno' que uma mente complexa experiência. As seguintes imagens representam uma pequena troca de palavras que se decorre na mente de um ser humano possuidor de uma mente complexa:
















sexta-feira, janeiro 18, 2008

Colapsar!!!!


Sinto as mãos a tremer, o coração a bater descompassado, a ira a rebentar-me pelos poros com tal magnitude que a pele quase rasga…Que rasgue…quero lá saber…quero é deixar de ser, deixar de existir, deixar de sentir…Estou cheia de odio por mim mesma…não consigo explicar o porquê…mas quero desaparecer…quero subir de joelhos a um arranha-ceus, abrir os braços e voar…quero magoar-me, quero sofrer…o meu corpo tem que provar do que vai na alma…talvez seja por isso que o meu corpo tem vindo a desfazer-se aos poucos…se calhar nem preciso de fazer nada, porque ele sente naturalmente o desgaste da alma…o problema é que não sente suficientemente rápido…e eu preciso que seja rápido…preciso que seja à velocidade da luz…preciso de congelar…de ser deixada num sitio frio, sem vida…na realidade é assim que me sinto…as mãos tremem com mais intensidade…a tensão aumenta a níveis nucleares…pode ser que o coração se desfaça…que se desfaça…que se destrua…que entre em colapso e pegue fogo…tanto me faz…afinal de contas sempre foi ele a raiz dos meus problemas…o meu coração...

terça-feira, janeiro 15, 2008

O Mundo estranho de Pessoas-Livro


Ontem à noite tive o segundo encontro da minha vida com uma pessoa-livro…já não me lembrava da sensação de irrealidade que toma conta de nós…foi como ser violentamente desperta para um mundo do qual já não tinha consciência. Mas é sempre mágico…sempre…lembro-me da primeira pessoa-livro com quem tive contacto…foi um encontro aparentemente casual. O meu pai apareceu num sábado com um livro, que vinha grátis na compra de um jornal. É obvio que o meu pai não teve noção da importância do que me trazia, das mudanças que o contacto com aquela entidade iria provocar em mim…Alias, o facto de ser céptico por natureza impediu-me sequer de alguma vez tentar explicar-lhe…ele nunca entenderia.
O livro não tinha nada de especial, nenhuma característica física específica que chamasse à atenção…poderia ser qualquer livro do mundo, o melhor livro, uma grande obra literária famosa, que o meu olhar não seria desviado para a sua capa. No entanto, a realidade é que se cruzou comigo, e por alguma razão que desconheço….fui impelida a pegar nele e lê-lo…só no final me apercebi que era uma pessoa-livro…quando senti uma estranha ligação a ele, como se tudo aquilo tivesse acontecido na minha vida por algum motivo metafísico que eu não conseguia conceber. Fiquei assustada, sem perceber o que tomava conta de mim…a confusão, a falta de esperança aliada a um conformismo extremo, uma sensação estranha de desprendimento de mim mesma…talvez só consiga entender quem já se cruzou com uma pessoa livro…Mas foi ontem, só ontem depois do segundo encontro, que entendi o porquê…a razão pela qual eu sentia, eu reconhecia que aquele livro era uma pessoa livro…era um aviso, um prenuncio do que eu me tornaria um dia...só uma pessoa-livro pode reconhecer outra pessoa-livro…é um mundo aparte, forrado de falta de esperança, de medo do vazio, que constitui a consciência do mundo…afinal, o conhecimento supremo mais não é do que o vacuo…E nessa dimensão a vida deixa de fazer sentido…também eu caminho para uma pessoa-livro…será amanha? Será neste ano o meu fim trágico? Emergirei como que tipo de livro? Não sei…só ambiciono tornar-me num livro tão desinteressante, tão pouco relevante que nunca seja lido por ninguém…não quero contaminar nenhum outro ser do mundo com este não viver…nunca...

quarta-feira, janeiro 02, 2008

E gira, gira...

Lá fora, a chuva cai de uma forma indecisa...talvez tenha receio de se fazer sentir, não sei...mas mesmo caindo, não tem poder suficiente para esconder o sol...ele ainda brilha, assim como brilhará durante muitos e muitos milénios...e esta gigante roda gigante que o mundo é, continua a rodar mesmo que não queiramos...mesmo que não nos achemos dignos dela, mesmo que a ira e a raiva que nos destroi por dentro seja tão grande que sentimos que os nossos próprios limites físicos não são capazes de a conter...mas algures há forma de a parar...um botão, uma poção mágica, está algures escondido à espera que eu o encontre...e quando encontrar...a grande roda gigante não girará mais para mim...para nós...

domingo, dezembro 09, 2007

Sei lá...

Acordo...vejo que estou em pé, pouco equilibrada em algo que parece ser um arame...um fio, como aqueles utilizados por trapezistas, que nos circos nos preenchem de mistérios e maravilhas...mas lentamente, sinto como se os meus pés estivessem a ser cortados, feridos por uma aresta afiada...continuo a andar para tentar chegar ao outro lado... mas cada vez mais o arame me magoa profundamente os pés e, em sofrimento, desequilibro-me e agarro-me com o que me resta...as mãos...ai percebo que percorro um caminho, não de arames ou fios, mas um gume duma navalha...as mãos ficam cada vez mais feridas e a dor é tão intensa que desisto...e num momento de libertação, deixo-me ir e perco-me no infinito...e finalmente adormeço...

quinta-feira, novembro 29, 2007

ÉS? QUEM?


Sei que te sentes só...sei que te sentes vazia e ao mesmo tempo cheia de sofrimento....sei que sobrevives mas nem sabes bem como...sei muito...muito de ti...o meu coração sofre com o teu...as tuas chagas são as minhas...não nos dissociamos como personalidade...na realidade coexistimos tu e eu e muitas mais...é como um caleidoscópio que roda e vês imagens diferentes a cada olhar...somos todas uma e somos cada uma, alguém diferente...com gostos diferentes, com sofrimentos diferentes, com preocupações diferentes....mas um só coração...como pode um só coração suportar sofrimento de tantas de nós? olho-me no espelho e já não sei quem vejo....talvez veja as nossas diferentes partes misturadas numa colagem de criança...à custa de pastilhas elásticas, pioneses, cola u-hu, fita cola...sei lá...todas as formas possíveis imaginarias de colar, de coser, de remendar alguém...mas resulta? consegue manter juntas todas as nossas diferenças? todas as nossas fracturas, que com o tempo cedem cada vez mais? ...ainda sim....mas não muito mais ...Quebra-me ....Quebra-nos...Rasga tudo o que somos e deixa-nos voltar para aquilo que sempre fomos...sombras de alguém e nada mais.....

quarta-feira, novembro 07, 2007

Livro Inacabado...

Uma página, um dia...páginas escritas no inicio com sons...sons de choros miudinhos, denunciadores de dores de barriga ou de uma fome devoradora...mais tarde, com o passar do tempo, escritas com dedos sujos de comida, de iogurtes, banana, papa cerelac...bah...depois, de forma mais amadurecida, com mil e uma canetas de feltro coloridas...azuis, amarelos, vermelhos, misturas de todas as cores possíveis e imaginárias...páginas que contam sonhos, em forma de palavras, em forma de desenhos, nas várias formas de uma criança para quem o mundo é um espectáculo de magia, com coelhos que saiem de cartolas, pombas que aparecem de lenços e limites que não existem...depois chega o peso da responsabilidade...já se escreve com esferográficas ou canetas de tinta permanente azuis ou pretas...paginas com somatórios, letras, listas de coisas a fazer e feitas...os ponteiros rodam inexoravelmente, e as paginas começam a ser escritas com o som de dedos que batem, que agridem as teclas e cuja escrita é guardada num disco pequeno...stress, muito stress, pressão, amargura que cresce dentro de mim e não é tratada...e finalmente...a tinta não passa já senão de sangue...sangue que escorre primeiro lentamente...mas que a determinada altura jorra como uma enxorrada num dia de tempestade...e subitamente...não há sangue...não há som...não há palavras...só há silencio e vazio...não há eu...e o livro fica assim...por acabar...no meio de um paragrafo...no meio de uma frase...no meio de uma palavra...fica simplesmente...no meio...

domingo, outubro 07, 2007

'A sombra do Vento'

Tenho saudades...saudades de tanta coisa que nunca se passou mas que vive na minha mente ! Bastou um livro…um livro para soprar vida em mim…não a minha, mas de muitos que a nunca viveram…histórias de pessoas cheias de sonhos, cheias de cor, cheias de tudo o que compõem a pintura da vida…encontros, desencontros que vão construindo a trama de uma forma tão magica que parece que ela mesma se constrói a si mesma…peças de um puzzle que se completa com alegria, sofrimento e dor…há muito que um livro não me deixava assim, com um vazio tremendo na alma como se a minha vida tivesse acabado na última página…quero mais…quero que o sonho prossiga e acompanhe o passar do tempo…quero apreender eternamente com a sabedoria que a história encerra…quero mais…muito mais...

segunda-feira, setembro 03, 2007

Sofia e o Espelho Mágico

Há muito, muito tempo viveu uma menina muito especial. Chamava-se Sofia e era princesa num reino vasto e abastado. A sua beleza era de tal forma deslumbrante e radiosa, que não deixava ninguém indiferente. Dizia-se que quem olhasse nos seus olhos sentiria o calor do sol no coração, uma sensação quente e suave, capaz de afastar todo o medo e amargura de um ser.
A rainha, à semelhança do que a sua mãe havia feito consigo, ofereceu à pequena princesa um espelho mágico, que fazia há muitas gerações parte do legado da familia. Este espelho era realmente mágico, pois quando a princesa se olhasse no espelho, veria refletido nele, não a sua imagem, mas uma imagem bonita ou feia de sí mesma, consoante estivesse a satisfazer, ou não, as expectativas da mãe, que, segundo ela, eram semelhantes às dos seus subditos.
No inicio, Sofia não se olhava muito no espelho, porque, como era evidente, cada vez que fazia uma asneira, a imagem refletida era a de uma Sofia feia. No entanto, a menina queria tanto sentir-se amada e segura, que, em face às contantes pressões da mãe para que usasse o espelho, cedeu e começou a guiar o seu comportamento pelo que via refletido neste. O que a rainha não sabia era que uma bruxa má havia posto um feitiço no espelho para que este fosse cada vez mais exigente, para que precisasse de comportamentos exemplares para mostrar uma imagem bonita da pessoa que nele se olhasse. E Sofia, sem saber desse estranho feitiço, recorria cada vez mais ao espelho numa tentativa de se sentir amada, compreendida e respeitada. A determinada altura, já não havia, para Sofia, opinião mais real e valiosa que a do espelho, toda a sua auto-estima se baseava na imagem refletida neste. E assim, incapaz de satisfazer a todo o momento as cada vez maiores exigências do espelho, Sofia começou a desesperar, a ficar tão triste, tão triste, que a alegria não passava já senão de uma memória.
No meio dos seus subditos, começou a circular um rumor de que a princesa estava cada vez mais fraca, que caminhava para a morte. Pedro, um rapaz novo e de bom coração, ouviu o rumor, e tendo uma vez visto de relance a beleza da princesa, acreditou que conhecia a solução para os seus problemas. E assim, pediu aos reis uma audiência.
A rainha, afogada em desespero por não conseguir afastar a tristeza da sua filha, concedeu a Pedro a oportunidade para falar com Sofia.
No dia seguinte, Pedro apresentou-se perante Sofia. Esta não olhava senão para o espelho, era como se estivesse hipnotizada pelo reflexo que via nele. Pedro, num gesto meigo, afastou o espelho do campo de visão de Sofia, e os seus olhos encontraram-se. Nos olhos de Pedro, Sofia viu a sua imagem refletida, tal como era, com defeitos e com qualidades, e assim, a ligação cruel que tinha ao espelho quebrou-se. Estava finalmente livre das correias que a haviam atormentado durante tanto tempo. O espelho, irado por ter perdido o poder que detinha sobre a princesa desfez-se em mil pedaços, que como o pó, foram levados por uma subita rajada de vento.
A rainha, ao entender o mal que tinha causado a sua filha, correu e debruçou-se sobre ela, pedindo-lhe desculpa, disse-lhe que o mais importante para ela era a felicidade da filha, e não se importava mais com o que os outros pudessem pensar. Sofia, uma vez livre do espelho, recomeçou a viver a vida que tinha ficado suspensa à tantos anos atrás e, com Pedro, tornou-se mais tarde numa rainha muito feliz.
S

sábado, agosto 25, 2007

Acordar...


Acordei ao som do trovão...forte, impediedoso e altivo...não se importa se interrompe o sono dos justos...não olha a nada...simplesmente existe com a vulgar intolerância da natureza...o sono que tinha ainda me entorpeceu durante alguns segundos...como se estivesse ainda ligada por uma corda invisivel ao mundo dos sonhos...no entanto, a repetição de sons, de relampagos não me deixou mais estar na cama...afinal de contas, Deus estava a proporcionar-me mais um espectaculo...seja de ira, como os antigos acreditavam, ou de outro qualquer sentimento...tanto me faz...gosto sim de ver a natureza a dominar o homem...a expressar o seu poder sobre nós...passamos tanto tempo a interferir nela que acho que está no direito de, de vez em quando nos reduzir aquilo que verdadeiramente somos...espectadores de toda uma peça, que constantemente mudam o curso da história...no entanto, espectadores...

A chuva cai diluviosamente...como se pretendesse limpar, lavar tudo o que está a mais...tudo o que não faz parte...pergunto-me se teria o mesmo efeito em mim...será que se for lá fora me limpa igualmente? me dá uma nova alma? livre e limitada ao essencial?

Com um entusiasmo infantil, procurei a chave da porta da rua....encontrei e quando abri a porta e e olhei para o céu, surgiu na minha mente o pensamento 'O mundo está como eu! Em revolta!'...mas tu...estás em revolta?

Lá fora, o temporal perde força, acalma, descansa... pudesse o meu coração e alma descansar também...para sempre!

terça-feira, agosto 14, 2007

Sh....


Nas memórias do que ainda não foi,

revejo-me num sitio calmo,

uma praia vasta e deserta,

os cabelos a dançar ao som do vento

e o coração a sangrar de tanta dor...

Tento evitar regressar a essa imagem,

luto com a escassa força que me resta,

a minha alma conhece profundamente

o preço alto de rever o futuro,

tão certo como a morte depois da vida...

Não guardo em mim grama de esperança,

tudo o que fui se aniquila aos poucos,

sou um perfume que perdeu a essência,

que perdeu a graça,

que se perdeu para sempre...

sexta-feira, agosto 10, 2007

Noite Sombria

Fui novamente confrontada com aquilo que não consigo aceitar nem quero...a morte...o final...o desfecho de uma vida...sei que a humanidade tem subjacente o conceito da morte...afinal de contas, um humano é um mortal...porque não somos um vival? é curioso como na forma como nos descrevemos a nós mesmos está intrínseca a ideia de um final, de uma validade...como se isso nos distinguisse daquilo que em crianças somos, nem todos sim, mas a maioria, habituados a pensar...que somos como o fogo eterno...não temos fim...que vivemos num conto de fadas com o 'e viveram para sempre felizes'...se a parte do feliz é, muito possivelmente, um engano, então a parte do 'para sempre' é mais que isso, é uma ofensa, é uma violência, é um sacrilégio...é uma mentira atroz que deixa marcas profundas num ser...nenhuma criança deveria acreditar nisso...que engano...sim...poderão contestar as minhas palavras citando a vida eterna em Cristo...sim, é verdade...mas não exclui a morte do físico...do ser...agora que recordo algumas ideias contidas num dos livros do António Damásio, sinto um arrepio na espinha...se não há uma separação clara entre alma e corpo, algo defendido no "Erro de Descartes"...então não é só o corpo que morre, senão a alma....
Penso em mim...qual o gozo de ler um livro do qual já se conhece o final triste? Para quê ver um filme que, de antemão conseguimos prever as últimas imagens? Para quê viver assim, se é já garantido que nos espera, no final, alguém do qual não conseguimos fugir? O que interessa no fim?
Fico-me com as palavras do sábio William of Baskerville:
-'How peaceful life would be without love, Adso. How safe... how tranquil...and how dull.'

segunda-feira, julho 16, 2007

Raios...

Será hoje? Será? Poderei eu deixar de ser sinónimo de sofrimento para os que me rodeiam? Poderei eu deixar de ver no espelho dor, feridas, cicatrizes... Como eu ambiciono esse momento... Sou um peso morto...algo que puxa todos para baixo, que se afoga mas não sozinho... Não quero ser isso... Não quero! Estou cansada... muito cansada... Porque será que deus não responde ao meu pedido? Não quero nada de espalhafatoso...só peço que possa dormir... dormir e não magoar... não percepcionar mais suspiros, olhares, palavras de sofrimento nos que me rodeiam... não magoar... não viver... Como seria bom...como seria bom!

segunda-feira, julho 09, 2007

Ai!

Su...

Nome insignificante...
Símbolo de sofrimento

Tenho...
Corpo de papel,
Coração de suspiro,
Mente de confusão...

Sou simplesmente tristeza em formato de pessoa!

Countdown


Qual de mim vou escolher?

Escolho a que estupidamente sorri como se nada se passasse?

Escolho a que me critica pela mais ínfima e insignificante coisa?

Escolho a que é como uma criança e cujo interior é forrado de sonhos?

Escolho a que espera pacientemente?

Escolho a que se revolta com o mundo, cheia de magoa e amargura?

Escolho a que sangra silenciosamente por dentro?

Ou a que prefere acabar com tudo?

Qual escolho? Qual?

Lyric



"Fallen"

Heaven bend to take my hand
And lead me through the fire
Be the long awaited answer
To a long and painful fight

Truth be told I've tried my best
But somewhere along the way
I got caught up in all there was to offer
And the cost was so much more than I could bear

Though I've tried, I've fallen...
I have sunk so low
I messed up
Better I should know
So don't come round here
And tell me I told you so...

We all begin with good intent
Love was raw and young
We believed that we could change ourselves
THe past could be undone
But we carry on our backs the burden
Time always reveals
In the lonely light of morning
In the wound that would not heal
It's the bitter taste of losing everything
That I've held so dear.

I've fallen...
I have sunk so low
I messed up
Better I should know
So don't come round here
And tell me I told you so...

Heaven bend to take my hand
Nowhere left to turn
I'm lost to those I thought were friends
To everyone I know
Oh they turn their heads embarassed
Pretend that they don't see
But it's one missed step
One slip before you know it
And there doesn't seem a way to be redeemed

Though I've tried, I've fallen...
I have sunk so low
I messed up
Better I should know
So don't come round here
And tell me I told you so...

By Sarah
McLACHLAN

sábado, junho 23, 2007

Tarde...

No meio do bulício das compras, a minha mente fervilha... está inundada de roupas, sapatos, malas, brinquedos... eu sei lá mais... tudo serve para me distrair do meu interior, que é o que verdadeiramente me atormenta. Passeio erraticamente pelos corredores, sem qualquer destino específico... aqui e ali vejo algo que me chama a atenção e, num momento de alivio, desvio o olhar de mim para qualquer coisa que ache interessante... desço as escadas rolantes num estado de dormência, de alienação do mundo. Subitamente, as pessoas à minha frente começam a andar e eu, de forma inconsciente, inicio igualmente a marcha, como se alguém tivesse accionado uma parte específica do meu cérebro, sobre a qual não tenho qualquer controlo. Continuo e começo a pensar no poder que o conformismo parece ter sobre mim. Serei eu outro alguém? Serei eu mero espelho de um arquétipo da sociedade? Existo? Perguntas dificeis no meio de tanta camisola, calça, top...
Sento-me e ao meu lado, uma pessoa, uma mulher, pergunta-me se a mesa adjacente está ocupada. Respondo que não, ela afasta a mesa para o outro lado, pousa um conjunto de revistas acabadas de comprar e senta-se....Tranquilamente, a mulher pega em cada uma e retira a etiqueta do preço... presumo que seja algum hábito antigo pela rapidez e destreza com que o faz... depois, escolhe uma e arruma as restantes num dos cantos da mesa, com o cuidado que de fiquem perfeitamente alinhadas... como se todo o seu mundo ruisse caso uma delas estivesse um centimetro fora do lugar...Uma imagem faz-me regressar a mim... os meus olhos enchem-se de lagrimas silenciosas, reveladoras do sofrimento que contenho... alheia à minha pessoa, a mulher continua com o seu ritual de folhear revistas, possivelmente algo que faz às 20:30 horas de todos sábados, de todos os meses, anos e séculos... Não dedica grande atenção que que lê, mas continua de uma forma obstinada, como se procurasse naquelas páginas o segredo da vida... Pudesse ela partilhar comigo o que tanto busca... Subitamente, guarda as revistas na mala, levanta-se e vai-se embora... Mais tarde, olho para a mesa abandonada numa tentativa de rever os ultimos momentos... tento procurar uma marca, um sinal de que a mulher ali esteve e constato que a mesa está perfeitamente encostada à parede, assim como a cadeira, que descansa alinhada com a mesa, certamente à espera de um outro alguem... tudo ficou alinhado... maior contraste com a minha vida não há... sucumbo...

sexta-feira, junho 08, 2007

Medo...estás ai?


Tenho medo de existir,
Tenho medo,
Tenho medo,
Simplesmente tenho medo.

O terror cresce sem controlo
pelas paredes do meu ser,
Entranha-se no meu intimo,
E faz parte de mim.

São estas palavras minhas,
ou serão elas do medo?
Perguntas-lhe tu?
Ou pergunto-lhe eu?

quarta-feira, junho 06, 2007



O vento sussurra-me os meus contornos…
Passa energicamente pelos meus cabelos,
Que, totalmente entregues,
Dançam de uma forma incondicional…

Recorda-me cada aresta do meu ser…
As minhas pernas, os meus braços…
Cada centímetro da minha pele
Se rende neste momento de prazer...

Num estado de total dormência
Onde me misturo com o mundo
Descubro a minha real essência,
Mar, vento, terra, sou tudo ...

E nesse instante de ilusão
Abro as minhas asas,
E lanço-me na imensidão

terça-feira, junho 05, 2007

Fading away...




I have been fighting
Against everyone
Including myself
But all is lost

I cannot recognize myself
In the madness of all this
My body, my soul
Its just another piece of this world
It´s not me...
It´s not me...

It´s so easy to detach
Can i just fall asleep,
And never wake up again?

quarta-feira, maio 23, 2007



Estou a perder-me…sinto-me nitidamente a ir abaixo…psicologicamente já quase não existo…só ainda persiste o físico…a dor que sinto é tão forte que é neste momento a única coisa que me demonstra que existo…não tenho nada mais…sou como um castelo de cartas… um colosso de estabilidade à espera de uma pequena corrente de ar que deita tudo abaixo…já perdi a capacidade de reconstrução…não há mesmo nada…é apenas uma questão de tempo...

terça-feira, maio 01, 2007

Tomás , o coração de ouro!




Era uma vez um menino que tinha um coração de papel. Chamava-se Tomás e era um bom rapaz, simpático, atencioso, sempre pronto a ajudar outras pessoas. Toda a gente crescida da aldeia gostava dele, só os meninos não gostavam. Estavam continuamente a meter-se com ele, devido à sua diferença…sim, era uma característica que implicava muitas restrições. Suponho que ter um coração de papel não deve ser fácil, não se pode apanhar chuva, não se podem fazer esforços…enfim, não se pode muita coisa porque é muito frágil. No entanto, mesmo maltratado, o Tomás ansiava por poder brincar com os outros meninos, também ele queria sujar a roupa, correr e perder-se no meio de um prado cheio de espigas de trigo, descobrir o prazer de sentir as gotas de chuva a embater no corpo…e começou a achar que não valia a pena viver…como se a sua felicidade dependesse unicamente de ter um coração igual a tantos outros, que bate e vive. Triste e desanimado, Tomás partiu em busca de alguém que lhe fizesse um transplante ao coração…procurou por todo o mundo, até que encontrou um médico, já com alguma idade, que lhe disse que era muito bom ele ser assim, até tinha vantagens…ter um coração de papel significava que não envelhecia, não se tornava mais lento e pachorrento como os corações das pessoas normais…e como não batia, nunca deixava de bater…E o Tomás pensou, repensou e chegou à conclusão de que ter um coração de papel poderia até ser uma coisa boa…ora se o papel já existe desde o tempo da antiguidade, isso quereria dizer que ele teria uma esperança de vida muito superior à das outras pessoas. Assim, poderia fazer o bem durante muitos e longos anos. Por isso, o Tomás encheu-se de coragem e regressou à sua aldeia…lá os meninos já não eram meninos... Eram agora velhotes, com longos cabelos brancos que testemunhavam a passagem do tempo. Quando o viram, encheram-se de alegria por rever aquele amigo há tanto desaparecido e pediram-lhe desculpa pelas maldades que lhe tinham feito. Explicaram que o tinham maltratado apenas porque não percebiam o que era ter um coração de papel, mas que, com o passar do tempo, tinham percepcionado que o coração de papel dele valia mais que os seus de carne. Tomás, ao perceber o quanto tinha sido amado, ficou sensibililizado. Entendeu nesse momento que a sua longa busca por um sentido na vida, por uma explicação, o tinha privado de tanta coisa na vida que agora queria aproveitar o resto que tinha. E assim, passou muitos e longos anos a cuidar dos seus amigos…idosos por fora…crianças por dentro.

domingo, abril 29, 2007

Gato...


Olho para o meu gato que, ao pressentir o meu olhar, vira o focinho para mim e me olha dizendo 'Sim dona...estou aqui'...regressa à mesma posição de antes, certo de que a vida no segundo seguinte será igual ao segundo anterior. Como é preciso pouco para ele se sentir feliz...alguma atenção, comida, água e um sitio para aliviar as necessidades fisiológicas...carinho, sim...também precisa de carinho...e a prova de que o recebe é que, quando chego a casa depois de mais um dia estafante de trabalho, ele mostra a sua alegria através de rebolares incessantes no sitio mais inoportuno, que decerto impede que eu faça algum movimento capaz de me distrair...digamos que sou encurralada algures na casa para receber as suas manifestações de contentamento...e como é bom...faça chuva, faça vento...estando alegre ou triste, ele está lá...com a mesma energia, sem pedir muito, a mostrar que está para os bons e os maus momentos...como é bom ter um gato...ter o meu gato!


Obrigada TiCa...

sexta-feira, março 30, 2007

Detesto-me!!!!


Sintetizando…após grande e profunda análise cheguei à conclusão de que não gosto de mim…ou mais especificamente, me detesto…se me pedissem para definir aquilo que eu mudaria e o que não mudaria no meu ser, a comparação desses dois universos é tão infinitamente ridícula que faria um ser sem boca sorrir…eu mudaria tanta coisa em mim que deixaria de ser mim…o que confesso, seria um grande alivio…para o mim e para a humanidade, com toda a certeza…será que se eu ganhar o euromilhões me deixam mudar de corpo, deixando, de preferência, toda a minha complexidade para outro desgraçado que a ela quisesse aceder? Pobre sina…mas existem loucos para tudo, certo? Alguém que conviva comigo por gosto tem necessariamente que ter uns parafusos a menos e uma vontade intrínseca de sofrer…Talvez ache que só através do sofrimento se atinge a sabedoria e o conhecimento…Não sei…mas eu por mim, na minha humilde opinião, já tive o suficiente desse ingrediente da vida…é obvio que sofrimento é o que mais há por ai…mas existem diferenças consideráveis na forma como se vive …existem dois mundos completamente distintos que orbitam à volta do sofrimento….os que sofrem e aguentam…e os que sofrem e não aguentam…e quis Deus que eu pertencesse ao segundo…ou talvez não, talvez eu tenha desistido e, sem grande coragem, me tenha aproximado como quem não quer nada do segundo grupo…assim de mansinho…e sem fazer frisom…também temos que ser realistas, certo? No meio é que eu não podia ficar…Calhou assim…enfim…coisas da vida…ou não...

quinta-feira, março 22, 2007

Talvez ...



Será a minha mente um poço sem fundo…que se perpetua como o tempo que é e sempre será? Quero deitar uma pedra e ouvir o resultado…será o eterno silêncio ou poderá a pedra atingir um fundo? Não sei…Já incidi luz sobre o vazio…mas ela foi absorvida…como se de um buraco negro se tratasse…Não conheço as suas profundezas…não sei o que contém…se guarda água, ar…ou sonhos…talvez um dia eu venha a conhecer a sua essência…talvez...


terça-feira, março 20, 2007

Bah!!!!

Estou farta de mim…farta, farta, farta!!! Raio de bicho insatisfeito…no dia em que for possível fazer transplantes de cérebro ficarei feliz…faço um com o meu gato e fica tudo resolvido…fico com as terríveis preocupações dele…se tenho água para beber, comida para comer, e um sitio quentinho para dormir…porque tenho eu que ser assim? Porque me fizeram assim? Não poderia ser uma pessoa simples, com pouca complexidade, que pudesse fazer shut down ao cérebro de vez em quando? Olho lá para fora…vejo um dia bonito, cheio de sol, de ar fresco misturado com uma pitada de verão…e procuro imediatamente algo em mim que insisto em não encontrar…porque? Como se procurasse no meu âmago, restos…resquícios da vida de outra pessoa que sei que fui ou que poderia ser…procuro, procuro mas não encontro…e pareço um cão estupidamente atrás do seu rabo…deixo o ar entrar nos pulmões…mas asfixio a minha mente com sucessivos pensamentos e sensações…que raio…sei que busco algo…mas não sei o que…tento recriar essas sensações de vidas diferentes no meu dia-a-dia…pelo menos sempre que posso…mas não sabem ao mesmo…a imaginação teima em ser mais rica que a realidade…que buscas tu, mulher? Sem que tu mesma o saibas? Encontra lá isso se faz favor que eu quero ser livre...

quarta-feira, março 07, 2007

About...O Labirinto do Fauno


Ainda não consigo articular frases de uma forma coerente...a minha mente está em ebulição a tentar analisar e categorizar toda a mais pequena emoção que surge à medida que revejo as imagens que guardei...imagens variadas...de alegria, de solidão, de conforto, de sofrimento...de ilusão e realismo...ri...chorei...e nem sei como estou...uma história em que a magia dos contos de fadas coexiste com a crueldade da vida real...uma viagem fantástica que não deixa ninguem indiferente...ninguém que tenha ainda dentro de sí uma criança...quem quiser embarcar no comboio dos sonhos, que o faça...e pode escolher o final...o seu final...

segunda-feira, março 05, 2007

Me and Myself...


Why do you go on?
Knowing there is no hope
Not in you…not anywhere…

There will not be
Another hour, another second
All is lost in the depth of you
And me…

I can see clearly
What you seek to conceal
But it’s a desperate ordeal…
I know that, and also do you!

But you’re unwilling to admit…
Why don’t you just rest in me?
And we can both disappear
In the mist of ourselves…

Both you and me….
Both myself and me…

Angel...by Sarah McLachlan


Spend all your time waiting
For that second chance
For a break that would make it okay
There’s always one reason
To feel not good enough
And it’s hard at the end of the day
I need some distraction
Oh beautiful release
Memory seeps from my veins
Let me be empty
And weightless and maybe
I’ll find some peace tonight



In the arms of an angel
Fly away from here
From this dark cold hotel room
And the endlessness that you fear
You are pulled from the wreckage
Of your silent reverie
You’re in the arms of the angel
May you find some comfort there


So tired of the straight line
And everywhere you turn
There’s vultures and thieves at your back
And the storm keeps on twisting
You keep on building the lie
That you make up for all that you lack
It don’t make no difference
Escaping one last time
It’s easier to believe in this sweet madness oh
This glorious sadness that brings me to my knees


In the arms of an angel
Fly away from here
From this dark cold hotel room
And the endlessness that you fear
You are pulled from the wreckage
Of your silent reverie
You’re in the arms of the angel
May you find some comfort there
You’re in the arms of the angel
May you find some comfort here

domingo, março 04, 2007

Alguém que me ajude!?! Ninguém tem por acaso uma recarga de esperança? A minha acabou e não consigo viver assim...sinto-me vazia e estéril, como se o mundo tivesse deixado de fazer sentido para mim...tudo para mim passou a ser monocromático...sem sabor, sem cheiro, sem vida...tento fugir de mim mesma o mais que posso para não sentir...tento pensar em tudo o que me possa distrair-me daquilo que sou...mas não vale a pena...querem que eu faça o que? Me ajoelhe e admita aos céus que não sou nada? que não presto? que não valho sequer um cabelo da pessoa mais miserável deste mundo ? E quem diz que não o fiz já centenas, milhares de vezes? Biliões de vezes me perguntei porque ainda respiro...e ainda assim respiro...só quero ser feliz...só isso...será isso tão impossível??!?

'I wanna be numb
I don't wanna feel this pain no more
Wanna lose touch
I just wanna go and lock the door
I don't wanna think
I don't wanna feel nothing
I wanna be numb
I just wanna be
Wanna be
Taken away from all the madness
Need to escape
Escape from the pain
I'm out on the edge
About to lose my mind
For a little while
For a little while
I wanna be numb '

sexta-feira, março 02, 2007

Grave...


No frio espectral da noite, corro que nem louca por entre caminhos que não conheço...tropeço constantemente nas raízes profundas que formam um tapete surreal...um caminho para o meu destino final...apesar da bruma cerrada, consigo distinguir um portão, com grades altas...e abertas...entro a passos rápidos, atraída por algo magnético que me não me deixa forças para fugir...sei perfeitamente para onde me dirigo...mas não para o quê...e estaco...no meio de ervas distribuídas ao acaso, vejo a pedra enegrecida da humidade...uma lápide com o meu nome escrito...Sim, morri e não sei...é como me sinto...Sou um fantasma do que fui e do que poderia ser...talvez até mais do futuro que do passado...agora que me lembro, no livro 'Christmas Carol' de Charles Dickens, o fantasma mais aterrador...aquele cuja presença automaticamente aniquila todo o oxigénio existente é sem duvida o fantasma do futuro...é algo disforme...sem salvação...é a imagem que vejo no espelho, quando me olho...talvez a minha seja mais colorida, mas a essência é, fundamentalmente, a mesma...Os deuses quando me criaram, foi com toda a certeza para o sofrimento, para a morte...não para a felicidade...essa é-me roubada vezes sem conta, cada vez que paro e olho para o que sou...e para o que poderia ser... sinto-me como um livro que já conheceu a alegria de ser folheado e que agora jaz sozinho num canto, esquecido...porquê? Não sei...não sei para que me criaram...para me ser roubada a felicidade? Para observar a dos outros mas não poder viver a minha? Para ser sentenciada a uma morte lenta e dolorosa? Espero que um dia eu possa finalmente juntar-me a mim mesma na minha campa...rápido...que já nada mais vale a pena...

terça-feira, fevereiro 27, 2007

...<>...<>...



Parece que a vida parou…não avança, não recua, não nada, simplesmente estacou. Respiro, como, penso mas como num filme em pausa, o exterior vive…o interior ficou paralisado. Pergunto-me porque e não consigo encontrar resposta por mais que procure…talvez não deva encontrar a resposta ou talvez ela esteja mesmo à minha frente. Só sei que neste momento sinto-me estúpida…incrivelmente estúpida, como se não existisse pessoa no universo mais estúpida que eu…para quê continuo eu? Para quê? Se nada muda, nada acontece…as vezes quando via filmes sobre o espaço, onde uma personagem se afastava da nave dentro de um fato espacial, arrepiava-me sempre…imaginava-me na mesma situação e na agonia que seria se, por algum acaso do destino, a ligação que me ligava à nave desaparecesse… o que seria o vaguear, viva, na posse de todos os meus sentidos, pelo infinito do espaço…a solidão, o silêncio, a apatia…e chagava sempre à conclusão de que a inexistência era a melhor opção de longe…quem quer viver uma vida parada? Estagnada? Em que percepcionas o teu futuro como uma equação linear? Talvez tu queiras…e fazes bem…mas eu não...Saberás tu por acaso onde está o 'PLAY'? Ou tenho que ir devolver o aparelho?

domingo, fevereiro 11, 2007

Será




Acordes, notas… cheiro a musica… cheiro o aroma dos pianos… do pano verde que põem por cima deles... das tábuas de madeira do chão rabugento… cheiro o bulício do inicio das aulas, pessoas, crianças e adultos, a correr para conseguirem entrar na sala a tempo de assistir à aula…e cheiro também o silêncio que fica quando todos se foram já embora e eu espero por alguém…que saudades… sim… quem diria que também a musica tem cheiro… sinto falta disso… quando ficava sozinha era como tudo aquilo fosse meu… eu entrava sorrateiramente no grande hall e olhava para o palco… o piano chamava por mim… o piano… a musica… não sei… algo me dizia que eu pertencia ali, que precisava de um sitio daqueles para ser eu… para ser todas as pessoas que sou…para não ser… revejo tudo como num sonho, envolto em sépia, e pergunto-me… será que há ainda lugar para mim naquele mundo de fadas e elfos? Será?

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Não saio de casa!!!

Hoje é 29...bem, não sei se o número em sí conterá algum segredo, alguma mística associada...não sei se é do dia de semana e não do dia do mês...será por ser Janeiro? Mas parece que hoje os céus e terra se juntaram para me tornar o dia difícil...senão difícil, pelo menos caricato...Comecei bem...Sem saber que lá fora chovia, vesti-me com uma saia e sapatos...como calculam é um vestuário e calçado super adequado ao tempo invernoso que atravessamos...Bem, a esse pormenor sobrevivi...depois, em pleno caminho para o trabalho, ora de fazer aquaplanning...está bem que também já tinha algumas saudades, mas no presente contexto da minha vida é de arrepiar a espinha por breves segundos...Quando vinha a chegar, percebo que estou a ficar sem gasolina...ora de ir à bomba (que pelo menos não estava fechada)...depois de atestar o deposito vejo que a roda da frente do carro estava colada ao degrau da bomba...resigno-me com a realidade e entro no posto para pagar...pois então...o cartão não funciona...o homem passa tanta vez o dito no aparelho que pensei que o cartão já se teria desfeito...mas lá resistiu...chego finalmente ao meu posto de trabalho...entro, arrumo as coisas, cada coisa no certo e decido ir à casa de banho para poder finalmente começar a trabalhar...quando entro na casa de banho, viro-me para o espelho e constato que afinal, por artes que desconheço, a pequena racha da minha saia aparenta agora ser um rasgão quase de uma ponta à outra...que bom, não? Ainda em pleno estado de choque, quase a necessitar de intervenção do INEM para uma reanimação, sinto o dedo a prender-se algures nas meias...YES!!! Mais uma unha partida!!!! Bem...vendo por o lado positivo, eu podia ter conseguido dar cabo das meias...e lá aguentaram esta investida...pergunto-me é por quanto tempo mais...até porque, sendo realista...ainda tenho muitas horas e minutos e segundos pela frente...

terça-feira, janeiro 23, 2007

States




Epá...já é tarde...já passa 11 minutos da meia-noite...menos 11 preciosos minutos que vou dormir...ai que até me dói na cornadura...a esta hora, em que debato com realidade de que em menos de 7 horas vou ter que acordar e enfrentar a realidade de que durante_a_semana!=dormir_bem, tenho uma amiga nos states, possivelmente a olhar pela janela a ver os flocos de neve pousarem levemente na cabeça de algum esquilo atrevido...sim...porque atrevidos são...e com um sol radiante a emoldurar os céus...e agora, se houver alguma coisa a emoldurar os céus por estas bandas, só se for uma nuvem carregada de alguma coisa (há quem diga agua pura, eu diria mais água de questionável qualidade)...bem...tb há a lua...mas essa, bem ou mal, está sempre lá pregada. Lembrei-me agora de uma noticia recente sobre um meteorito que caiu, penso que algures nos estados unidos...mas também tudo acontece lá...são terramotos, são erupções, são tornados, são incêndios...aqui, se tivermos sorte lá apanhamos com uns ventintos que dão, quando muito, para escangalhar o guarda-chuva...mas é obvio que isso nunca impede a protecção civil de emitir 60000 mil alertas sobre as perigosas manifestações climáticas que vamos atravessar...temos que dar o desconto, eu sei...eles também quase nunca têm alguma coisa para fazer e assim sempre se vão entretendo...mas acho piada...em Portugal, emite-se um alerta de mau tempo e o resultado são alguns pingos de chuva mais grossos (com aquaplanning à mistura) e, com ajuda de umas sarjetas sempre sujas, lençóis de água a que, com benevolência, chamamos de inundações...nos estados unidos, emitem-se alertas e vêem-se vacas e camiões TIR a voar...aquilo é que é emoção radical...pensando bem, vou avisá-la que é melhor andar de guarda-chuva...nunca se sabe o que cai dos céus...

domingo, janeiro 21, 2007



Os meus olhos começam a fechar-se... cansaram-se de lutar. O calor indolente da tarde envolve o meu corpo num torpor avassalador, doce como as tardes do antigamente em que me entregava ao embalar do ponteiro do relógio. Teremos nós perdido esse segredo? Essa capacidade de viver os segundos sem pensar, sem racionalizar, sem ânsia de os perder? Por vezes sinto-me como uma criança, no meio de um mar de outras crianças... a determinada altura, trazem um bolo para cada uma…eu fico à espera que as outras o provem para perceber se é bom…o meu faro felino diz-me que sim, mas a minha duvida cartesiana aconselha-me a deixar que outros o provém, que o testem…e as crianças tiram bocados, saboreiam, e as suas caras denunciam a inegável satisfação que sentem…nesse momento, eu percebo que guardo um tesouro, algo indescritível…e agarro-me com toda a força ao bolo, com medo de perder uma migalha que seja…o tempo passa, e o bolo permanece…sem ser tocado, sem ser comido…até que começa a deteriorar-se…mas eu continuo numa obstinação cega que me impede sequer de perceber que tenho em meu poder a última oportunidade de saborear o que resta daquela riqueza entregue a mim…e assim, perco tudo…quando finalmente acordo, o bolo já não é bolo…já não é prazer, já não é satisfação…é apenas uma memória do que poderia ter sido e não foi...

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Where to?

I have finally reached the 20,08 km...the beginning is the hardest part...

Status 2

Bem....já vou no km 19,30 e nem notei...impressionante....'I´m Invencible'!!!

UAU!!!!!!!!!!

Bem...é verdade...já estou a uns bons 18,08 km....não é fantástico?

Status da Prova

Depois de ter entrado num deserto árido...já percorri 17,11 km...bestial, hein?

E já...

E já lá vão 15,39 km!!!!!! YEH!!!!!!!

Quanto faltará para a meta?

E já vão 12,10 km....YEH!!

It has already started...She is now 10,27 km from the start point!!!

quinta-feira, janeiro 11, 2007

(Ausência de Som)


Bastou uma palavra...uma única palavra para perceber... um conjunto não aleatório de letras, símbolos que na sua simplicidade sintetizam toda a minha existência, com especial incidência sobre o que vivo e respiro neste momento... 'silenciosa'...talvez seja uma palavra caridosa... sendo minimamente realista, devo utilizar a palavra 'amordaçada'... sim... e pior que tudo, a consciência da identidade do meu carrasco...um reflexo difuso onde me reconheço... sim, admito... sou eu o meu próprio carrasco...e é imenso o que esta realidade implica...a minha vida garante a vida do meu carrasco...a minha morte, a sua morte...como é possível que o ar que entra nos meus pulmões, a comida que ingiro sirva para alimentar essa besta? essa criatura castrante, asfixiante, que não conheçe amor ou carinho...que ao longo de toda a minha existência me minou a felicidade, a esperança na felicidade...sei lá...me roubou o que nunca tive....talvez seja altura de tirar a mordaça que me impediu de viver, partilhar...de existir...nem que para isso tenha que me sacrificar...é uma luta em que a vitoria é o fim...mas também a paz, a tranquilidade e a possibilidade de uma vez na vida, única que seja, fazer o que quero e o que sou...finalmente!

What language does God speak?


Can i try something? whatever crosses my mind? can anyone out there help me? maybe i´ve been speaking a strange language...if i speak English, will someone help me please? Is it possible that God only speaks English? Have i been talking only to myself? well i am willing to try everything...if i have to learn a different language to guarantee that my requests are answered, i will...i have fallen into darkness and my strengths are nearly in the end...now, i´m like an iceberg...something without life, cold, isolated from the world, that keeps melting away...someday it just disappears into a world of silence, of death...maybe that's what i need...

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Perco-me...





Sou várias pessoas....Sinto-me no centro de um turbilhão de personalidades, e não consigo encontrar-me em lado nenhum...olho-me ao espelho e não me reconheço...vejo apenas aquilo que suponho ser uma cara distorcida...deduzo que o rosto tem olhos, nariz, boca...tudo o que constitui um rosto...mas é feita de traços desajeitados, imprecisos, confusos...não há absolutamente nada harmonioso...é a face da discordia, da indefinição...perdi-me algures...e não há forma de conseguir recuperar o que fui...Definho...