sábado, agosto 15, 2009

RIP

I am sorry to anounce that the little one has died.

May she rest in Peace...

domingo, julho 26, 2009

Sonhos...

cada vez que ela espreita em mim tento esconde-la... já percebi que o mundo não está preparado para aceita-la, nem ela consegue aceitar o mundo... é como querer que alguém adivinhe os nossos pensamentos, sem que soltemos uma palavra... algo impossível, inatingível... pego nela com cuidado para que não se sinta rejeitada... passo docemente a mão por entre os seus cabelos, e relembro-me do que era ser inocente... quando o mundo ainda não me tinha tocado o suficiente para que eu deixasse de sonhar... nela revejo a alegria de uma criança que se sente segura... que corre e brinca com coração aberto, alheia à dor e sofrimento que se escondem por trás cada vida, de cada rosto... paro e apercebo-me que ela me olha de forma surpresa:
-'Estavas parada com a mão no meu cabelo...'
Tentando disfarçar o meu momento de paragem, respondo:
-'Pensei que já tivesses adormecido e não te queria acordar!
Ela parece acreditar na minha mentira...e com isso, levanta-se e vai a correr para o seu canto... Corro atrás dela, dou-lhe um beijo na testa e ela escapa-se-me pelas maos, desaparecendo... Olho para trás e vejo que o mundo que me espera... ali está ele... com as mesmas dúvidas e questões... as mesmas dores e tristezas...como vivo com alguém assim dentro de mim? Alguém que vive numa pequena bola de cristal, cheia de casas de madeiras, árvores e neve que cai lentamente quando alguém a abana... Como explicar a alguém assim que a vida não é o que pensávamos... que aquilo que sempre consideramos como segurança, não o é na realidade? Que não conseguimos escrever a história que tínhamos idealizado, porque o mundo não se rege pelas regras que nos ensinaram em criança? Não consigo...tento convencer-me de que é normal, de que não posso dar tanta importância a coisas triviais... o que realmente interessa é viver, seja com misérias ou alegrias... digo a mim mesma, que a vida está cheia de pequenos momentos de alegria... escondidos no meio da confusão e tumulto do dia-a-dia... e que só tenho que esperar... esperar hoje, amanha, o tempo que for preciso... que se esperar muito por algo, então esse algo me vai saber melhor ainda... mas aquela menina parte de mim, que espera todas as noites por um sonho melhor, relembra-me que nada é assim tão fácil... que eu posso até deixar passar mil noites e mil dias...mas que posso atingir um patamar em que já não há nada em mim para esperar... em que me anulei de tal forma, que mesmo que a minha caixa de sonhos se abrisse, e todos os sonhos saltassem para fora e ganhassem asas, ainda assim, não serviria de nada...o sonho só vive na medida de quem o tem... se esse alguém se deixa ir, o sonho não tem mais porque existir... todos os dias, morre mais um bocadinho, mais um... e mais um...

terça-feira, junho 02, 2009

Cão Azul

Embora o site já seja amplamente conhecido, aqui fica a referência para uma fantástica loja com produtos bastante originais...

http://www.caoazul.com/

domingo, maio 31, 2009

Direcções...

Será que a ordem do tempo é igual em todo o universo? Será que os relógios giram da esquerda para a direita noutros mundos?
Se pensarmos bem , a vida é como um segmento de recta... uma linha, uma linha com inicio e fim... ou será antes fim e inicio? Se eu pegar num cordel, com duas pontas, e o emaranhar de forma confusa, saberei eu qual o inicio e o fim?
Talvez o nascimento e a morte não sejam aquilo que desde o inicio tomámos como certo. Na prática, não sabemos nada... nada sobre esses dois momentos da vida de uma pessoa. Mas como todos os dias somos confrontados com essa realidade, tivemos que arranjar um modo de conviver... demos-lhes nomes, retratámos-los em quadros, livros, filmes...desenvolvemos mecanismos para os tentar controlar... mas no final, conhecemos tanto deles como no inicio.
Quem sabe se quando morremos, o mundo simplesmente não muda de direcção, os relógios não começam a girar para o lado contrário e mais uma vez nos convencemos de que a ordem da vida é essa? Na prática, a única que conhecemos...
Quem sabe?

domingo, maio 24, 2009

Não ao amor!

Quero fechar-me numa caixa,
proteger o meu coração...
encerrar-me com mil trancas,
no frio escuro da solidão...

Quero viver num sitio remoto,
Sem alegria, ternura ou amor,
longe do mundo lá fora,
longe de qualquer ilusão...

Quero embriagar-me de dor,
Perder-me na escuridão,
Desertar de mim mesma,
Fugir de toda a razão...

Quero rasgar as entranhas do meu ser,
Destruir a minha fortaleza, incendiar o meu castelo,
Desligar-me de qualquer prazer,
Purificar-me pela dor e sofrimento...

Renascer noutro mundo,
Numa outra dimensão,
Onde o amor não seja mais,
Do que uma estúpida invenção!

terça-feira, maio 05, 2009

Frio

Cá fora, a chuva cai copiosamente...já quase não sinto os pés de tão gelados que estão. Olho para a minha mochila e mais parece um aquário... ao lembrar-me do conteúdo, pego rapidamente nela e encosto-a contra o peito.
-'Junto do coração, de certeza que não se estragam...o calor do coração tudo repara!'
Continuo ingenuamente agarrada à minha mochila azul, onde guardo as recordações que me deste. Com as pernas a tremer, levanto os calcanhares do chão e tento espreitar pela fechadura. Não conseguindo ver nada, esfrego os olhos com força como se limpasse as lentes de um binóculo... espreito novamente e não te vejo em sitio algum... consigo ver a sala onde me recebes para brincar... as bonecas estão alinhadas na prateleira, como se nunca tivessem estado noutro sitio... como se não tivessem sonhado, vivido nas minhas mãos... Consigo também alcançar com o olhar a porta do quarto onde guardas os teus segredos... de vez em quando, estando tu lá dentro, largo aquilo com que estou a brincar e voo sorrateiramente para junto da porta... encosto a mão ao manipulo e ele devolve-me um arrepio de frio, como se soubesse que me proibiste de lá entrar.... tu pressentes, sempre, sem falhar e ao saíres do quarto, tratas-me com agressividade e rancor... arrancas das minha mãos a minha boneca preferida e empurras-me bruscamente para o frio da rua... vezes houve em que me presenteaste com indiferença em vez de agressividade...e para ser sincera, prefiro a segunda...
Cá fora, continua a chover, como sempre acontece quando não estou contigo... o frio já subiu por todo o meu corpo, esmorecendo o calor do meu coração, que a cada segundo bate mais fraco... tenho que ir... hoje já não me deixas entrar e eu atingi o limite das minhas forças... Pode ser que amanha, amanha me deixes entrar...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Surgimento...

Por vezes...de mansinho, surge a tristeza...parece uma pena que flutua pelo ar e nos roça a pele ...e assim, sem que tenhamos consciência, nos invade sem que consigamos fazer algo para impedir...é como se tivesse uma chave especial, um segredo, e através desse segredo tem acesso directo ao coração.. ai, espalha-se pelo corpo, como sangue envenenado... a vida simplesmente muda de cor... torna-se monocromática ... só percebemos as suas arestas pelas várias gradações de cinzento...a esperança, a alegria adquirem uma tonalidade branca...todos os sentimentos negativos vêem acentuado o seu negrume... é simples... preto no preto, branco no branco... como um tabuleiro de xadrez... agora que penso, há uma forte semelhança com uma radiografia... será que alguma vez inventarão um aparelho de radiografias que nos inspeccione a alma? O que veriam em mim? Conseguiriam detectar as imperfeições da minha pele? As rugas que insistem em aparecer? Os cabelos brancos que não tardam em aparecer? Ou de mim só veriam mesmo a silhueta? Um contorno bem definido, negro, como prova da existência de algo mais que o físico? Seria um contorno conforme o meu corpo, ou terá a alma um contorno diferente? Será que a alegria ocupa mais espaço que a tristeza? Ou será ao contrário... suponho que tenha que esperar por alguem que me possa responder...E entretanto, não consigo enganar a tristeza...tento torea-la como se estivesse numa arena, mas as forças já me falham... as pernas não respondem... e naquele momento, em que a tristeza pausa para a estocada fatal, desisto... e com os olhos fechados, entrego-me a ela, sem ressentimentos, sem surpresas, sem vida ....

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Predição

E se… e se cada um de nós tivesse uma bola de cristal que nos mostrasse uma janela de tempo para o futuro, de 5 minutos? Poderiam ser 5, ou 10 ou o que fosse… até poderia ser todo o tempo até à chegada ao reino de Hades… A questão que se põe é :Será que escreveríamos as nossas histórias da mesma forma? Será que alterávamos uma palavra, um gesto, uma carícia…será que evitaríamos asneiras brutais, com a concretização de outras ainda mais dramáticas? Não sei… penso que gostaria de conhecer o futuro… nem que fosse para conhecer o número vencedor do euro-milhoes…mas se toda a gente o conhecesse também, o ganho era ridículo…bem, a sério…a ideia parece-me bastante apelativa. Conhecer o futuro, para agir no presente, alterando o passado… bem, não sei…será que agiríamos no presente? Ou será que devido a um medo profundo das consequências de qualquer acção, por mais simples e inofensiva que fosse, simplesmente congelávamos no tempo? Não nos movíamos, não nos amávamos, não respirávamos… O que é melhor? Uma vida cheia de pontos de interrogação, de surpresas, de alegrias e tristezas, ou uma vida numa página sempre em branco, sem novidade, sem dor…mas sem alegria? Eu ainda não sei bem… sinto-me como uma criança à chuva que, paralisada pela descoberta de que a vida não é o que esperava, deixa derreter o chocolate que tem na mão…

sábado, dezembro 20, 2008

A vida? Essa é só para quem consegue...

Não conheço as regras deste jogo...duvido até que alguém conheça...simplesmente preferem não pensar nisso. Jogam tremulamente com mãos vazias de figuras, mas com palavras cheias de segurança. Talvez as regras sejam estas...fingir que não existem. Pela minha experiência pessoal, posso garantir que é uma estratégia pouco eficaz. Mais tarde ou mais cedo, esbarramos com a dura realidade, e ai, mesmo cegos, somos obrigados a ver. Melhor seria ser realista. Realista significa ser frio? Talvez... Se sim, então é algo que sou absolutamente incapaz de ser...existem momentos, raros, devo confessar, em que quase acredito que é possível... mas logo a dor me surge do vazio, a comoção toma conta de mim e deixa-me só e incapaz... Por vezes dizem-me para não ligar… mas como posso eu fazer isso? Como sei ao que devo ligar, no meio de tanta diversidade de situações? Como posso eu sequer respirar se não ligar a nada? Vivo para quê, então? Para uma vida fútil? Uma vida vazia de sentido? De vontade? De emoção? Não ligar é apenas uma das várias caras da indiferença…se assim for, então porque não ser uma pedra? Uma onda do mar? Um grão de areia? Se a única comoção a viver é a dos outros…então prefiro ser inanimada…talvez assim alguém pegue em mim e sinta algo…talvez eu signifique algo para alguém…

Private Investigation

It's a mystery to me - the game commences
for the usual fee - plus expenses
confidential information - it's not a public inquiry
I go checking out the reports - digging up the dirt
you get to meet all sorts in this line of work
treachery and treason - there's always an excuse for it
and when I find the reason I still can't get used to it
And what have you got at the end of the day?
what have you got to take away?
a bottle of whisky and a new set of lies
blinds on the windows and a pain behind the eyes
Scarred for life - nocompensation
private investigations

domingo, novembro 23, 2008

Continuação de 'Coisas'....

Uma gota de água, caída dos meus cabelos molhados, percorre-me as costas…sinto-a ganhar terreno, a desviar-se a cada obstáculo que encontra… será que o seu percurso tem alguma relevância? Se ela se desviar para a direita, ou para a esquerda, quais serão as consequências? E se ela simplesmente desaparecesse…ou até passasse para outra superfície…um chão, um tecido, um corpo, que impacto teria essa nova realidade? De uma gota de água…talvez não venha grande mal …mas e se for de uma vida? Qual o impacto de uma vida, se vira à direita ou à esquerda? É interessante que, antes de escrever ‘se vira à direita’ escrevi ‘se decidisse virar à direita’…é hilariante, até ridículo, que eu possa ter cometido esse erro tão infantil…já tenho idade, consciência, experiência, sei lá o que, para saber que neste mundo, não se decide nada…simplesmente se esbarra com os caminhos…haverá alguém que decide? Não sei, talvez… mas é inútil sequer sonhar, que somos nós que as tomamos… e no entanto, sempre é mais fácil descer a acreditar que efectivamente decidimos alguma coisa… Mas é interessante, como no nosso mundo somos tão impotentes como uma gota de água que escorre… não há nada que possa fazer para travar a sua descida… é como o tempo que passa sem que o controlemos…simplesmente passa…e não há nada que possamos fazer sobre isso… é verdade que no aspecto físico, lá vamos investindo esforços para que o exterior não se degrade tanto…é como se tentássemos impedir que a descida em direcção ao final surtisse efeito sobre o nosso exterior… agora, sobre o interior físico, ou mais importante, relativamente ao nosso interior incorpóreo, é uma luta ingrata… pelo menos… hum… a menos que… bem… haverá algum ambiente gravidade zero no mundo do incorpóreo?

sábado, novembro 15, 2008

Coisas...

Chove copiosamente lá fora. O som da água a cair é tão ensurdecedor, que quase o confundo com o bater do meu coração… é certo que com o tempo, bate mais lento, mais fraco, mais tímido….mas ainda é suficiente para me fazer acordar mais uma vez, para um dia que não tem nada de novo para me oferecer…De resto, é algo que eu devia ter percebido há muito… mas enfim…sou assim… O mundo parece uma porta aberta, uma infinitude de possíveis escolhas, de 'se's… mas o peso dos 'se's que não escolhemos, abate-se sobre nós com tamanha força, que nos rouba espaço, tempo e forças, para tentarmos procurar outros 'se's… talvez a vida seja assim… um mundo de possibilidades, que na realidade se resumem a uma sequência aleatória e tortuosa de escolhas… talvez na realidade nunca tenhamos tido outra hipotese senão a que escolhemos…melhor ainda, talvez a tenhamos escolhido mesmo por isso, porque não havia outra, mas preferimos acreditar que era uma escolha…quando na realidade era uma certeza…se me permitirem a liberdade, arriscaria até a utilizar o termo de condenação…sei que essa ideia torna a vida ridícula e vazia, desprovida de fantasia, de sonhos e alegrias… mas é a verdade…e se há que a enfrentar mais cedo ou mais tarde, que seja então mais cedo…talvez o mais cedo se torne o mais tarde…who knows?

quarta-feira, outubro 01, 2008

Why worry ....Dire Straits...

Baby I see this world has made you sad
Some people can be bad
The things they do, the things they say
But baby I'll wipe away those bitter tears
I'll chase away those restless fears
That turn your blue skies into grey
Why worry, there should be laughter after pain
There should be sunshine after rain
These things have always been the same
So why worry now
Baby when I get down I turn to you
And you make sense of what I do
I know it isn't hard to say
But baby just when this world seems mean and cold
Our love comes shining red and gold
And all the rest is by the way
Why worry, there should be laughter after pain
There should be sunshine after rain
These things have always been the same
So why worry now
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Where is my shunshine?
How much more do i have to wait?
How much more do i have to suffer?

terça-feira, setembro 09, 2008

Ilusões...

O tempo escorre-me pelas mãos...assim, de mansinho...silenciosamente, sem deixar rasto. Apenas menos um segundo, um minuto, uma hora...por vezes vivo a ilusão de que faz sentido tentar fecha-las, lutar de forma a conferir a cada minuto roubado, um sentido maior, um propósito que force o cadeado sobre as portas que confinam a esperança, à tanto fechadas para mim... mas rapidamente a ilusão se desfaz. Na realidade, não passa de uma desajeitada pintura de criança, deixada à merce da tormenta de um dia chuvoso... encarquilha com a água... não é mais que um pedaço de papel sem qualquer valor.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Caixinha de Surpresas


A vida não passa de uma caixinha de surpresas…vamos pondo a mão dentro da caixa e cada vez que a retiramos, extraímos uma coisa nova, uma coisa diferente…que permite que a vida seja como um livro em branco… no qual vamos deixando bocados do nosso ser na tinta que se derrama aos poucos nas páginas… de inicio, não passam de manchas deixadas ao acaso… mas à medida que o tempo escorre vão, de forma incompreensível, tomando forma…são desenhos, histórias completas, cheias de diferentes cores e texturas… e o que fazer quando já contámos tudo? Quando já não há tinta em nós, não há originalidade, não há histórias de castelos encantados? Existirá outro caminho além de fechar a caixa? Ela está cheia de vazio!… com cuidado, deixo cair a tampa …e a minha respiração cessa...

domingo, agosto 03, 2008

Bocadinhos de ar


Olhar a desesperança nos olhos é como olhar-me no espelho…reconheço-me nos seus contornos, nas suas rugas …nas histórias que conta e que me recordam do esforço que é respirar…da inutilidade de tudo isso…da estupidez e crescente sensação de que a vida, tal como nos foi dada a conhecer enquanto criança, não passa de um sonho…a beleza do mundo, contrasta com a torpeza da vida… vejo pessoas felizes, pessoas satisfeitas e tudo isso é estranho para mim… viveram a mesma vida que eu? Farão as mesmas questões a sí mesmos? Encontrarão diferentes respostas? Talvez… mas acredito que a pequena botija com que nos abastecemos de sonhos e ilusões já expirou para mim…ou simplesmente o pouco que tenho não é suficiente…será que posso doar o pouco que tenho a alguém? A alguém que faça dele o muito que eu não consigo fazer? É curioso que já me tenham dito que eu tenho o toque de Midas…talvez até o tenha para muitas coisas…mas para o que dá sentido à vida, não tenho... no que é importante, não tenho... não tenho...

sexta-feira, julho 18, 2008

Tristeza...


No cair da tarde sou surpreendida por uma onda de tristeza… uma que chega de mansinho, sem fazer som… distraio-me por breves momentos, e sem que me aperceba, baixo as minhas defesas e cedo caminho à dor que aproveita qualquer cantinho mais escuro do meu ser… Brinca às escondidas comigo, como se de uma criança se tratasse…mas inocência é algo totalmente antagónico à sua natureza… não há nela qualquer vestígio de ingenuidade, de candura, de esperança… é como um tumor que prolifera sem controlo… invade todo o espaço, não deixando lugar à existência de qualquer coisa que não seja ela mesma… O que posso eu fazer? Como luto eu com algo que me conhece, que trata por tu todas as minhas fraquezas?

quinta-feira, julho 03, 2008

Dor...



Já não tenho nada cá dentro… sinto-me vazia de luminosidade, sem sentido, sem esperança… a dor é a minha única companhia nestes momentos de agonia... espero a morte como um momento de piedade… como uma libertação de uma vivência que há muito perdeu a consistência, uma vivência curta, tão previsível que só o seu fim lhe pode conferir alguma imprevisibilidade… recordo-me de, a dada altura da minha existência, presenciar um ser humano que pedia ao céu que lhe fosse concedida misericórdia… nesse momento, não fez sentido… eu não queria, a vida dessa pessoa não lhe pertencia apenas… era de todos… estava imbuída em mim como o meu cheiro, como a minha pele… eu era parte dela e ela de mim… e não entendi… não compreendi o que podia existir de tão horrendo e tão puro ao mesmo tempo, que levasse alguém a suplicar por descanso… algo que de tal forma tomava conta da pessoa que não deixava espaço para mais nada… que tornava o acto de respirar, algo tão inato ao ser humano, como um dos momentos mais dolorosos, mais excruciantes… que sublimam todo um presente…e mais que tudo… aniquilam o futuro… não posso dizer que a minha dor é semelhante à dor dessa pessoa… dor é algo incomparável, algo impossível de se medir… a dor tem como suporte, como instrumento de medida a sensibilidade de cada um… e assim como a dor, a sensibilidade é algo que não se mede… pode talvez fazer-se comparações simplistas, para amenizar a falta de compreensão daqueles que rodeiam o sofrimento… mas nunca é possível ter uma verdadeira noção da dor de um ser… seria para isso necessário que nos libertássemos da nossa pele… e penetrássemos no outro ser… tanto seria diferente… a sensibilidade como tudo o que a ela está subjacente… os sabores seriam diferentes, o tacto, os cheiros, toda uma noção, uma perspectiva do mundo como a que experimentamos, seria algo totalmente díspar… no entanto, apesar da miríade de diferentes modos de sentir, de viver, a dor é algo universal… é uma das linguagens mais básicas, mais simples que existe… talvez seja até a mais bela de todas… a mais significante… a que mais nos desperta para a nossa própria existência e… a que mais constitui motivo para acabarmos com ela...

segunda-feira, junho 30, 2008

Pensamentos...

Vejo-te por entre pequenos pedaços de vidro, grosseiramente colados… como se as mãos de uma criança, que tenta construir um puzzle… reconheço a tua face, mesmo distorcida… mas não oiço a tua voz, não sinto o teu toque… estás longe… sei que estás… sei que estás lá…quero que os meus olhos pousem sobre a tua face… sobre as arestas, sobre os pequenos detalhes que fazem de ti quem és… mas não consigo…o sol bate-me na vista e deixo de ver…procuro-te com as mãos, tentando destruir a barreira que nos separa… quero o teu toque, quero a tua paz e tranquilidade…quero saborear do mel que te compõem, da noção de que faço parte de algo maior… que não me limito aos fracos contornos do meu ser… quero estar contigo… quero ser contigo...

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O vento uiva por entre as árvores...procuras algo sem saber bem o que...passas por rios, por águas revoltas, que não são mais que as lagrimas que conténs no teu coração... tudo és tu... a terra que pisas sem fim, que faz parte de ti, da qual são feitos os teus olhos que guardam sonhos sem fim, as tuas mãos que vão ficando calejadas pelos inumeros momentos em que recorres a elas como o teu único suporte, o teu único método de te manteres um só ser... começas a ficar cansado... as pernas não respondem... o frio entranha-se em ti...sobe pelas tuas costas e aloja-se algo no teu amago sem que percebas...os teus membros deixam de responder... a tua mente refugia-se algures em ti sem que saibas onde... o teu coração já não é... já não existe... há muito que no lugar dele tens um corpo morto... depois de batalhas travadas sem fim, de destroços de ti deixados sozinhos, como minas deixadas ao acaso num terreno bravio... não resistiu... ninguém resistiria... não és... não foste... nem nunca serás...

segunda-feira, junho 23, 2008

Taciturno

No cair da noite, o silêncio avança… como um manto negro e taciturno que se adensa à medida que conquista terreno… penso na vida… no passado…no presente que insiste em não gelar e continuamente transformar-se em passado… afinal, raios, o que é o presente? Só sei defini-lo como o momento entre o passado e o futuro… mas esse momento é tão único, tão frágil, tão inatingível que nem se pode dizer que exista… é um conceito… não passa disso… um axioma, uma hipótese que permite deduzir teorias ou realidades… para mim o presente não é nada… é um empecilho… algo inventado pelo homem que não tem a mínima utilidade… o que interessa fundamentalmente é o passado e o futuro… são estes que contam a história da vida de um homem… que lhe conferem corpo, consistência, matéria…. e o meu passado, o que conta? Sobretudo histórias que prefiro esquecer… histórias de confusão, de contos de crianças misturados com a amarga realidade… histórias que eclipsam o próprio passado… reduzem-no a cinzas… como a fenix… o senão…é que esta só tem uma vida, não renasce… basta pegar nessas mesmas cinzas, lança-las sobre a imensidão do oceano e rogar que essa infinitude de inexistência desapareça com elas… sirva de alimento aos peixes… e uma vez na vida, ou morte, neste caso…seja relevante na história de alguém...