Cão Azul
Embora o site já seja amplamente conhecido, aqui fica a referência para uma fantástica loja com produtos bastante originais...
http://www.caoazul.com/
Sussuros da mente e coração...
Embora o site já seja amplamente conhecido, aqui fica a referência para uma fantástica loja com produtos bastante originais...
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su.....
às
2:42 p.m.
Será que a ordem do tempo é igual em todo o universo? Será que os relógios giram da esquerda para a direita noutros mundos?
Se pensarmos bem , a vida é como um segmento de recta... uma linha, uma linha com inicio e fim... ou será antes fim e inicio? Se eu pegar num cordel, com duas pontas, e o emaranhar de forma confusa, saberei eu qual o inicio e o fim?
Talvez o nascimento e a morte não sejam aquilo que desde o inicio tomámos como certo. Na prática, não sabemos nada... nada sobre esses dois momentos da vida de uma pessoa. Mas como todos os dias somos confrontados com essa realidade, tivemos que arranjar um modo de conviver... demos-lhes nomes, retratámos-los em quadros, livros, filmes...desenvolvemos mecanismos para os tentar controlar... mas no final, conhecemos tanto deles como no inicio.
Quem sabe se quando morremos, o mundo simplesmente não muda de direcção, os relógios não começam a girar para o lado contrário e mais uma vez nos convencemos de que a ordem da vida é essa? Na prática, a única que conhecemos...
Quem sabe?
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su.....
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1:57 a.m.
Quero fechar-me numa caixa,
proteger o meu coração...
encerrar-me com mil trancas,
no frio escuro da solidão...
Quero viver num sitio remoto,
Sem alegria, ternura ou amor,
longe do mundo lá fora,
longe de qualquer ilusão...
Quero embriagar-me de dor,
Perder-me na escuridão,
Desertar de mim mesma,
Fugir de toda a razão...
Quero rasgar as entranhas do meu ser,
Destruir a minha fortaleza, incendiar o meu castelo,
Desligar-me de qualquer prazer,
Purificar-me pela dor e sofrimento...
Renascer noutro mundo,
Numa outra dimensão,
Onde o amor não seja mais,
Do que uma estúpida invenção!
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su.....
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5:50 p.m.
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9:42 p.m.
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11:14 p.m.
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11:15 p.m.
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11:33 p.m.
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11:07 p.m.
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4:21 p.m.
Chove copiosamente lá fora. O som da água a cair é tão ensurdecedor, que quase o confundo com o bater do meu coração… é certo que com o tempo, bate mais lento, mais fraco, mais tímido….mas ainda é suficiente para me fazer acordar mais uma vez, para um dia que não tem nada de novo para me oferecer…De resto, é algo que eu devia ter percebido há muito… mas enfim…sou assim… O mundo parece uma porta aberta, uma infinitude de possíveis escolhas, de 'se's… mas o peso dos 'se's que não escolhemos, abate-se sobre nós com tamanha força, que nos rouba espaço, tempo e forças, para tentarmos procurar outros 'se's… talvez a vida seja assim… um mundo de possibilidades, que na realidade se resumem a uma sequência aleatória e tortuosa de escolhas… talvez na realidade nunca tenhamos tido outra hipotese senão a que escolhemos…melhor ainda, talvez a tenhamos escolhido mesmo por isso, porque não havia outra, mas preferimos acreditar que era uma escolha…quando na realidade era uma certeza…se me permitirem a liberdade, arriscaria até a utilizar o termo de condenação…sei que essa ideia torna a vida ridícula e vazia, desprovida de fantasia, de sonhos e alegrias… mas é a verdade…e se há que a enfrentar mais cedo ou mais tarde, que seja então mais cedo…talvez o mais cedo se torne o mais tarde…who knows?
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su.....
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1:01 a.m.
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1:51 p.m.
O tempo escorre-me pelas mãos...assim, de mansinho...silenciosamente, sem deixar rasto. Apenas menos um segundo, um minuto, uma hora...por vezes vivo a ilusão de que faz sentido tentar fecha-las, lutar de forma a conferir a cada minuto roubado, um sentido maior, um propósito que force o cadeado sobre as portas que confinam a esperança, à tanto fechadas para mim... mas rapidamente a ilusão se desfaz. Na realidade, não passa de uma desajeitada pintura de criança, deixada à merce da tormenta de um dia chuvoso... encarquilha com a água... não é mais que um pedaço de papel sem qualquer valor.
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12:34 a.m.
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8:56 p.m.
Olhar a desesperança nos olhos é como olhar-me no espelho…reconheço-me nos seus contornos, nas suas rugas …nas histórias que conta e que me recordam do esforço que é respirar…da inutilidade de tudo isso…da estupidez e crescente sensação de que a vida, tal como nos foi dada a conhecer enquanto criança, não passa de um sonho…a beleza do mundo, contrasta com a torpeza da vida… vejo pessoas felizes, pessoas satisfeitas e tudo isso é estranho para mim… viveram a mesma vida que eu? Farão as mesmas questões a sí mesmos? Encontrarão diferentes respostas? Talvez… mas acredito que a pequena botija com que nos abastecemos de sonhos e ilusões já expirou para mim…ou simplesmente o pouco que tenho não é suficiente…será que posso doar o pouco que tenho a alguém? A alguém que faça dele o muito que eu não consigo fazer? É curioso que já me tenham dito que eu tenho o toque de Midas…talvez até o tenha para muitas coisas…mas para o que dá sentido à vida, não tenho... no que é importante, não tenho... não tenho...
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11:11 p.m.
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4:04 p.m.
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su.....
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11:16 a.m.
Vejo-te por entre pequenos pedaços de vidro, grosseiramente colados… como se as mãos de uma criança, que tenta construir um puzzle… reconheço a tua face, mesmo distorcida… mas não oiço a tua voz, não sinto o teu toque… estás longe… sei que estás… sei que estás lá…quero que os meus olhos pousem sobre a tua face… sobre as arestas, sobre os pequenos detalhes que fazem de ti quem és… mas não consigo…o sol bate-me na vista e deixo de ver…procuro-te com as mãos, tentando destruir a barreira que nos separa… quero o teu toque, quero a tua paz e tranquilidade…quero saborear do mel que te compõem, da noção de que faço parte de algo maior… que não me limito aos fracos contornos do meu ser… quero estar contigo… quero ser contigo...
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O vento uiva por entre as árvores...procuras algo sem saber bem o que...passas por rios, por águas revoltas, que não são mais que as lagrimas que conténs no teu coração... tudo és tu... a terra que pisas sem fim, que faz parte de ti, da qual são feitos os teus olhos que guardam sonhos sem fim, as tuas mãos que vão ficando calejadas pelos inumeros momentos em que recorres a elas como o teu único suporte, o teu único método de te manteres um só ser... começas a ficar cansado... as pernas não respondem... o frio entranha-se em ti...sobe pelas tuas costas e aloja-se algo no teu amago sem que percebas...os teus membros deixam de responder... a tua mente refugia-se algures em ti sem que saibas onde... o teu coração já não é... já não existe... há muito que no lugar dele tens um corpo morto... depois de batalhas travadas sem fim, de destroços de ti deixados sozinhos, como minas deixadas ao acaso num terreno bravio... não resistiu... ninguém resistiria... não és... não foste... nem nunca serás...
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10:44 a.m.
No cair da noite, o silêncio avança… como um manto negro e taciturno que se adensa à medida que conquista terreno… penso na vida… no passado…no presente que insiste em não gelar e continuamente transformar-se em passado… afinal, raios, o que é o presente? Só sei defini-lo como o momento entre o passado e o futuro… mas esse momento é tão único, tão frágil, tão inatingível que nem se pode dizer que exista… é um conceito… não passa disso… um axioma, uma hipótese que permite deduzir teorias ou realidades… para mim o presente não é nada… é um empecilho… algo inventado pelo homem que não tem a mínima utilidade… o que interessa fundamentalmente é o passado e o futuro… são estes que contam a história da vida de um homem… que lhe conferem corpo, consistência, matéria…. e o meu passado, o que conta? Sobretudo histórias que prefiro esquecer… histórias de confusão, de contos de crianças misturados com a amarga realidade… histórias que eclipsam o próprio passado… reduzem-no a cinzas… como a fenix… o senão…é que esta só tem uma vida, não renasce… basta pegar nessas mesmas cinzas, lança-las sobre a imensidão do oceano e rogar que essa infinitude de inexistência desapareça com elas… sirva de alimento aos peixes… e uma vez na vida, ou morte, neste caso…seja relevante na história de alguém...
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su.....
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10:29 p.m.
Sinto as mãos irrequietas... como se eu quisesse falar através delas mas não tivesse tempo ou elas não se conseguissem expressar... muitas vezes, as mãos expressam-se bem melhor que a boca... têm uma magia especial...o gesto, o tacto, a cor é algo insonoro... algo delicado, discreto... cheio de novas palavras à espera de ser inventadas, novos conceitos... conceitos que nem precisam dos grilhões da definição... e falam tanto mesmo quando querem estar caladas... revelam segredos, manias, temores, fobias... um mundo de coisas intangíveis... mas no entanto tão poderosas como uma muralha de betão... o inconsciente é a ferramenta mais poderosa que existe dentro de nós... indomável,incontrolável... e as mãos são uma das maiores janela para esse mundo.
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su.....
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1:37 a.m.
O vento sopra criando sombras com os ramos das árvores que dançam ao seu sabor... cria sombras chinesas que, como que brincando connosco, transformam as coisas mais simples, nas mais valiosas. A exuberância da natureza instila vida em tudo...nas pedras que, sob o sol, emanam um calor intenso... nas árvores que, de forma totalmente imprevisível, soltam pequenas flores que tocam a nossa pele, como que num gesto de carinho... oiço a água que corre, que inunda de energia a flora ao seu alcance... E em tudo isto, apenas um elemento contrasta, eu mesma... consigo sentir, consigo aperceber-me de toda a vida que me circunda, mas por alguma razão sou imune a ela... não sei se por escolha, se por destino, mas o meu ser é impermeável, estanque, frio... por isso só, triste e inatingível. E o tão vívido contraste entre o mundo que me rodeia e o meu ser só contribui para a minha total aniquilação... só me faz sentir mais estrangeira neste mundo... é como uma mancha negra de sujidade... distingue-se de forma muito mais intensa num tecido branco que num cinzento.
O que devo eu então fazer? Apartar-me da vida? Afastar-me dos passados, presentes e futuros, numa vã tentativa de fugir de mim mesma?
Entretanto a natureza não desiste, a vida não se rende... continua a deixar cair sobre o meu colo, coberto com um vestido branco, pequenas flores amarelas que são, ou eram, curiosamente, a minha cor predilecta em criança... uma... duas... três... já não consigo contar... alguém insiste em não me deixar indiferente...todos os dias tenta de diferentes formas... seguro, impassível, inquebrável... numa palavra, persistente... será ele mais que eu?
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su.....
às
10:10 a.m.