quinta-feira, maio 15, 2008

Saudades



Tenho saudades do campo…de passear sem limites, sem preocupações…de correr, de andar sem rumo…de cair na terra, rebolar-me e saborear a vida na palma das minha mãos…na realidade só encontro a minha essência, a minha razão de existir no campo…no meio do chilrear dos pássaros, numa caminhada debaixo de uma torrente de chuva, num trocar de olhar com uma ovelha…só ai a vida me toca…me passa por entre os dedos…me queima a pele…me mostra que a minha existência faz tanto parte do grande plano como uma flor pela qual passo ou num lago onde me detenho…e é essa tranquilidade de existir que sinto…essa noção de que no fundo, tudo faz sentido, tudo faz falta…e que, na realidade, existir é o maior privilegio porque me permite contemplar tudo o que existe…só na existência de tudo…a minha faz própria sentido...


quinta-feira, maio 08, 2008

Escorre....

O tempo passa estupidamente alheio a tudo o que o rodeia…Tentamos interferir nele, fazer com que se mova mais rápido …ou mais devagar, consoante a nossa vontade…mas ele continua…sempre igual a si mesmo…sem perdoar a nada nem a ninguém…O sol nasce…põe-se…e já nos habituamos a esse ciclo sem fim, que, à excepção de algumas nuances, se mantém inalterável de tal forma, que um dia acordamos, olhamo-nos no espelho, e reparamos que já nos resta pouco tempo…afinal de contas, todos guardamos religiosamente uma pequena mão cheia de tempo…que é limitado…e que muitas vezes nem sequer conseguimos evitar que nos fuja pelos dedos…com frequência, temos até os dedos afastados e ele escorre por entre eles como água…Que andamos nós a fazer com o que nos resta?

terça-feira, maio 06, 2008

Não sei porque...

Não sei porque escrevo....talvez pensem que escrevo para ser 'ouvida' por alguém...outros poderão pensar que o faço por catarse, como uma forma de afastar de mim o infindável negrume que me circunda e atormenta. Para ser sincera, não sei porque escrevo, não consigo nunca chegar a conclusões, nem sequer a soluções, após rever os meus escritos. Talvez escreva para afirmar que existo...que a vida que me é roubada na realidade existe algures, nem que num mísero pedaço de papel. Perguntam vocês se um pedaço de papel pode constituir prova da existência de alguém....Não sei, mas também não sou a pessoa mais adequada para responder a essa questão. Só posso atestar que tem sido essa personagem de papel, frágil, inacessível, instável, que me ajuda a acreditar que ainda vivo e respiro…É pateticamente a única forma que encontro de existir...

quarta-feira, abril 23, 2008

Medições...outras coisas mais...

Porque será que somos conduzidos a medir tudo o que nos rodeia? Porque medimos tão bem o tempo, o dinheiro, a felicidade, tudo? Qual a razão obscura que nos leva a ser morbidamente obcecados pela necessidade de medir? Na realidade…a medição só faz sentido na comparação…para quê me interessa medir algo se não o posso comparar com nada? Simplesmente não faz sentido… O que nos conduz à raiz da questão…Como seria o ser humano se apenas existisse um espécime em toda a Terra? Será que seria igualmente obcecado em medidas? Será que o controlo seria algo tão importante como é nos dias de hoje? Ou será que era alguém mais desprendido, mais tranquilo? Não sei…o que sei é que seria infinitamente mais infeliz…afinal de contas o ser humano é um ser social por natureza…pode estar sozinho, mas tem que criar raízes…tem que ter algo familiar, que o conforte…É curioso pensar que nós, como seres humanos, procuramos amizades noutros animais…gostamos de gatos, cães, ratos, cobras…sei lá…Até nos desenhos animados para crianças, vemos que essa ideia está subjacente…Por exemplo, no filme 'Madagascar', os animais de diferentes espécies são amigos…temos uma girafa, um leão e uma zebra…que confessemos…não são a combinação mais frequente no mundo da selva real…mas no entanto, o ser humano necessita criar laços, até com outras espécies…será que é porque pensa encontrar ai uma razão para a sua existência? Será?

sexta-feira, abril 18, 2008

Sabores...

Um sopro passou por mim...não sei o que fez, não sei o que deixou ou levou...mas não fiquei igual...o meu coração já não bate sozinho...bate ao mesmo ritmo de todos os relógios do mundo...bate ao mesmo ritmo com que os grãos de areia atravessam pacientemente a passagem para o outro precipício...olho para dentro e sinto vertigens...tenho mil mundo cheios de sonhos, de pimenta e sal, prontos para brotar...mas para quê? para a aridez da vida? para o terrível buraco negro que as espera cá fora...capaz de tudo sugar, alegria, coragem, esperança? quero poupar o meu imaginário a esse sacrificio...na vertigem, perco as forças...quero saborear tudo ao mesmo tempo...mil cores, mil cheiros, quero beber milhoes e milhoes de sensações e encerrar cada uma numa caixinha, catalogada, para saber verdadeiramente a que sabe a vida...conheces tu, o sabor da vida? Sabes se é adocicada? Amarga? Se te faz cocegas no estomago ou te dá dores de barriga? Eu não sei...Sabes tu?

segunda-feira, março 03, 2008

Ruídos Silenciosos...

Quando penso em quem sou quando estou com outras pessoas fico intrigada...olho para mim e não me reconheço...pareço ser uma pessoa com problemas, mas que ri, que brinca, que encerra alguma magia dentro de sí...nada como a imagem que tenho de mim mesma...uma pessoa triste, desesperançosa, que suga toda a alegria de quem a rodeia...sou um enigma para mim mesma pela simples razão que não sei quem sou...não sei de que material sou feita...reconheço a minha face num espelho...sim...posso dizer mil características minhas, que apenas me definem como cidadã...o meu número de BI, o meu número de contribuinte...posso também citar outras características...físicas, por exemplo...posso dizer que tenho cabelo castanho, olhos rasgados, igualmente castanhos...mas quando começo a tentar descrever-me psicologicamente, não tenho palavras...se me extraissem o involucro e me colocassem em frente a um espelho, penso que não saberia quem era...não sei que forma tem o meu ser interior...não sei sequer se tenho limites, se não passo de extensão de outros seres...posso ser como o ar, que se expande com o calor...posso fazer parte de mil e um seres, e assim constituir a natureza...sei lá...posso até não existir...bem...segundo decartes, o simples facto de eu estar a escrever estas palavras é prova de que existo...será realmente assim? Não posso eu estar a viver na imaginação de um ser pensante? Não pode a minha pele, rosto, corpo, pensamento, ser apenas um mero fruto de uma mente fértil? Assim sendo, os meus pensamentos não passariam de pensamentos de outro ser qualquer...e eu não tinha qualquer existência...e os sentimentos? A dor? Não pode ser utilizada como critério para avaliar a minha existência? Será que se eu sinto, eu existo? Ou até mais especificamente, será que se eu sofro, eu existo? Será que a dor não passa de uma prova menos feliz de que existo? E se eu não sofrer? E se eu não sentir? E se eu não pensar? Não existo? O que é existir afinal? Algo que só posso saber que acontece como consequência de algo? Não o consigo definir de uma forma simples e clara, sem recurso à observação de 'sintomas' de que existo? Existir? O que é? Alguém sabe? O que acontece quando não existo? Como é que diferencio o não existir do existir? Posso eu dizer que se não penso, não sinto, não respiro, não existo? Como posso eu chegar a tal conclusão? Como é que sequer posso alguma vez ter consciência de que não existo? Bem...acho que é melhor ir reflectir sobre o estado do tempo...ou que filmes vão passar na televisão hoje...Estou cansada de existir por hoje...

sábado, fevereiro 23, 2008

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Guardas o quê? Sonhos?



O que guardas tu no cantinho do teu ser? Que sonhos, que ilusões feitas de algodão? Que gritos e sorrisos? Que nuvens e sol radiante? Porque és tu essa mistura feita de lágrimas e de riso? Porque és tu criança livre a correr num prado cheio de flores e ao mesmo tempo, idosa amargurada defronte da lareira? Que dualidade encerras tu, minha pequena, na tua tão estranha cabeça? Sim, cabeça estranha a tua…feita de espigas de trigo coladas com mel…repleta de pássaros de todas as cores que voam sem rumo mal encontram um buraquinho por onde fugir…deslizam com tanta velocidade e tão perto que quase nos levam as ideias…agarra-as…agarra-as…põe o chapéu, vá…rápido que lá vêem eles…não os deixes levar as tuas ideias…deixa-os levar apenas o teu coração...

segunda-feira, janeiro 28, 2008

raios

Olho para mim...e apenas venho restos...restos de alguma coisa que fui mas já não sou...nem consigo sequer ter uma ideia vaga do que fui...é como se o meu interior fosse um lugar vazio...com uma memória aqui e ali de alguma coisa...mas completamente abandonado, perdido, esquecido...e ao mesmo tempo detesto-me...detesto este involucro que insiste em existir quando já está morto...quando não há esperanças...não há nada, nada, nada para mim...nem sei se posso utilizar a palavra mim, tendo em conta que mim já não existe...talvez eu na realidade já tenha morrido e ainda não tenha a noção dessa realidade...serei um fantasma? antes fosse...assim não sofria tanto...quero ser um fantasma...quero ser outra coisa qualquer...não quero definitivamente ser a Susana...raios partam com a criatura...que lhe aconteca algo e ela se esfume...se desintegre...fogo...que já não posso com a mulher...odeio-me...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Palavras ....para Quê?!?

Ao longo de todo estes meses e, porque não, anos, tenho partilhado o meu ser, os meus pensamentos com a imensidão do universo virtual que entende português…bem…imensidão pela grandeza…não pela dimensão populacional…mas passando à frente…o meu intuito neste acto louco e sem qualquer explicação tem sido unicamente proporcionar ao mundo exterior uma visão laparoscópica do intricado que constitui a minha mente. No entanto, após uma reflexão profunda percepcionei que não tenho sido bem sucedida nesta demanda sem sentido…Assim sendo, recordando um provérbio chinês de outrora 'Uma imagem vale mais que mil palavras', decidi adoptar uma estratégia cirúrgica, com recurso a suporte visual, numa tentativa de provocar um impacto mais relevante neste mundo onde me encontro.
Há muito que tento, sem sucesso, mostrar ao exterior a complexidade da minha mente e a grande e brutal carga de trabalhos que acarreta…isto porque, visto de fora, poder-se-á cair na tentação de achar que complexidade na mente humana é algo bom e positivo…e como vivo dia-a-dia com o impacto negativo dessa realidade, pretendo provar o 'inferno' que uma mente complexa experiência. As seguintes imagens representam uma pequena troca de palavras que se decorre na mente de um ser humano possuidor de uma mente complexa:
















sexta-feira, janeiro 18, 2008

Colapsar!!!!


Sinto as mãos a tremer, o coração a bater descompassado, a ira a rebentar-me pelos poros com tal magnitude que a pele quase rasga…Que rasgue…quero lá saber…quero é deixar de ser, deixar de existir, deixar de sentir…Estou cheia de odio por mim mesma…não consigo explicar o porquê…mas quero desaparecer…quero subir de joelhos a um arranha-ceus, abrir os braços e voar…quero magoar-me, quero sofrer…o meu corpo tem que provar do que vai na alma…talvez seja por isso que o meu corpo tem vindo a desfazer-se aos poucos…se calhar nem preciso de fazer nada, porque ele sente naturalmente o desgaste da alma…o problema é que não sente suficientemente rápido…e eu preciso que seja rápido…preciso que seja à velocidade da luz…preciso de congelar…de ser deixada num sitio frio, sem vida…na realidade é assim que me sinto…as mãos tremem com mais intensidade…a tensão aumenta a níveis nucleares…pode ser que o coração se desfaça…que se desfaça…que se destrua…que entre em colapso e pegue fogo…tanto me faz…afinal de contas sempre foi ele a raiz dos meus problemas…o meu coração...

terça-feira, janeiro 15, 2008

O Mundo estranho de Pessoas-Livro


Ontem à noite tive o segundo encontro da minha vida com uma pessoa-livro…já não me lembrava da sensação de irrealidade que toma conta de nós…foi como ser violentamente desperta para um mundo do qual já não tinha consciência. Mas é sempre mágico…sempre…lembro-me da primeira pessoa-livro com quem tive contacto…foi um encontro aparentemente casual. O meu pai apareceu num sábado com um livro, que vinha grátis na compra de um jornal. É obvio que o meu pai não teve noção da importância do que me trazia, das mudanças que o contacto com aquela entidade iria provocar em mim…Alias, o facto de ser céptico por natureza impediu-me sequer de alguma vez tentar explicar-lhe…ele nunca entenderia.
O livro não tinha nada de especial, nenhuma característica física específica que chamasse à atenção…poderia ser qualquer livro do mundo, o melhor livro, uma grande obra literária famosa, que o meu olhar não seria desviado para a sua capa. No entanto, a realidade é que se cruzou comigo, e por alguma razão que desconheço….fui impelida a pegar nele e lê-lo…só no final me apercebi que era uma pessoa-livro…quando senti uma estranha ligação a ele, como se tudo aquilo tivesse acontecido na minha vida por algum motivo metafísico que eu não conseguia conceber. Fiquei assustada, sem perceber o que tomava conta de mim…a confusão, a falta de esperança aliada a um conformismo extremo, uma sensação estranha de desprendimento de mim mesma…talvez só consiga entender quem já se cruzou com uma pessoa livro…Mas foi ontem, só ontem depois do segundo encontro, que entendi o porquê…a razão pela qual eu sentia, eu reconhecia que aquele livro era uma pessoa livro…era um aviso, um prenuncio do que eu me tornaria um dia...só uma pessoa-livro pode reconhecer outra pessoa-livro…é um mundo aparte, forrado de falta de esperança, de medo do vazio, que constitui a consciência do mundo…afinal, o conhecimento supremo mais não é do que o vacuo…E nessa dimensão a vida deixa de fazer sentido…também eu caminho para uma pessoa-livro…será amanha? Será neste ano o meu fim trágico? Emergirei como que tipo de livro? Não sei…só ambiciono tornar-me num livro tão desinteressante, tão pouco relevante que nunca seja lido por ninguém…não quero contaminar nenhum outro ser do mundo com este não viver…nunca...

quarta-feira, janeiro 02, 2008

E gira, gira...

Lá fora, a chuva cai de uma forma indecisa...talvez tenha receio de se fazer sentir, não sei...mas mesmo caindo, não tem poder suficiente para esconder o sol...ele ainda brilha, assim como brilhará durante muitos e muitos milénios...e esta gigante roda gigante que o mundo é, continua a rodar mesmo que não queiramos...mesmo que não nos achemos dignos dela, mesmo que a ira e a raiva que nos destroi por dentro seja tão grande que sentimos que os nossos próprios limites físicos não são capazes de a conter...mas algures há forma de a parar...um botão, uma poção mágica, está algures escondido à espera que eu o encontre...e quando encontrar...a grande roda gigante não girará mais para mim...para nós...

domingo, dezembro 09, 2007

Sei lá...

Acordo...vejo que estou em pé, pouco equilibrada em algo que parece ser um arame...um fio, como aqueles utilizados por trapezistas, que nos circos nos preenchem de mistérios e maravilhas...mas lentamente, sinto como se os meus pés estivessem a ser cortados, feridos por uma aresta afiada...continuo a andar para tentar chegar ao outro lado... mas cada vez mais o arame me magoa profundamente os pés e, em sofrimento, desequilibro-me e agarro-me com o que me resta...as mãos...ai percebo que percorro um caminho, não de arames ou fios, mas um gume duma navalha...as mãos ficam cada vez mais feridas e a dor é tão intensa que desisto...e num momento de libertação, deixo-me ir e perco-me no infinito...e finalmente adormeço...

quinta-feira, novembro 29, 2007

ÉS? QUEM?


Sei que te sentes só...sei que te sentes vazia e ao mesmo tempo cheia de sofrimento....sei que sobrevives mas nem sabes bem como...sei muito...muito de ti...o meu coração sofre com o teu...as tuas chagas são as minhas...não nos dissociamos como personalidade...na realidade coexistimos tu e eu e muitas mais...é como um caleidoscópio que roda e vês imagens diferentes a cada olhar...somos todas uma e somos cada uma, alguém diferente...com gostos diferentes, com sofrimentos diferentes, com preocupações diferentes....mas um só coração...como pode um só coração suportar sofrimento de tantas de nós? olho-me no espelho e já não sei quem vejo....talvez veja as nossas diferentes partes misturadas numa colagem de criança...à custa de pastilhas elásticas, pioneses, cola u-hu, fita cola...sei lá...todas as formas possíveis imaginarias de colar, de coser, de remendar alguém...mas resulta? consegue manter juntas todas as nossas diferenças? todas as nossas fracturas, que com o tempo cedem cada vez mais? ...ainda sim....mas não muito mais ...Quebra-me ....Quebra-nos...Rasga tudo o que somos e deixa-nos voltar para aquilo que sempre fomos...sombras de alguém e nada mais.....

quarta-feira, novembro 07, 2007

Livro Inacabado...

Uma página, um dia...páginas escritas no inicio com sons...sons de choros miudinhos, denunciadores de dores de barriga ou de uma fome devoradora...mais tarde, com o passar do tempo, escritas com dedos sujos de comida, de iogurtes, banana, papa cerelac...bah...depois, de forma mais amadurecida, com mil e uma canetas de feltro coloridas...azuis, amarelos, vermelhos, misturas de todas as cores possíveis e imaginárias...páginas que contam sonhos, em forma de palavras, em forma de desenhos, nas várias formas de uma criança para quem o mundo é um espectáculo de magia, com coelhos que saiem de cartolas, pombas que aparecem de lenços e limites que não existem...depois chega o peso da responsabilidade...já se escreve com esferográficas ou canetas de tinta permanente azuis ou pretas...paginas com somatórios, letras, listas de coisas a fazer e feitas...os ponteiros rodam inexoravelmente, e as paginas começam a ser escritas com o som de dedos que batem, que agridem as teclas e cuja escrita é guardada num disco pequeno...stress, muito stress, pressão, amargura que cresce dentro de mim e não é tratada...e finalmente...a tinta não passa já senão de sangue...sangue que escorre primeiro lentamente...mas que a determinada altura jorra como uma enxorrada num dia de tempestade...e subitamente...não há sangue...não há som...não há palavras...só há silencio e vazio...não há eu...e o livro fica assim...por acabar...no meio de um paragrafo...no meio de uma frase...no meio de uma palavra...fica simplesmente...no meio...

domingo, outubro 07, 2007

'A sombra do Vento'

Tenho saudades...saudades de tanta coisa que nunca se passou mas que vive na minha mente ! Bastou um livro…um livro para soprar vida em mim…não a minha, mas de muitos que a nunca viveram…histórias de pessoas cheias de sonhos, cheias de cor, cheias de tudo o que compõem a pintura da vida…encontros, desencontros que vão construindo a trama de uma forma tão magica que parece que ela mesma se constrói a si mesma…peças de um puzzle que se completa com alegria, sofrimento e dor…há muito que um livro não me deixava assim, com um vazio tremendo na alma como se a minha vida tivesse acabado na última página…quero mais…quero que o sonho prossiga e acompanhe o passar do tempo…quero apreender eternamente com a sabedoria que a história encerra…quero mais…muito mais...

segunda-feira, setembro 03, 2007

Sofia e o Espelho Mágico

Há muito, muito tempo viveu uma menina muito especial. Chamava-se Sofia e era princesa num reino vasto e abastado. A sua beleza era de tal forma deslumbrante e radiosa, que não deixava ninguém indiferente. Dizia-se que quem olhasse nos seus olhos sentiria o calor do sol no coração, uma sensação quente e suave, capaz de afastar todo o medo e amargura de um ser.
A rainha, à semelhança do que a sua mãe havia feito consigo, ofereceu à pequena princesa um espelho mágico, que fazia há muitas gerações parte do legado da familia. Este espelho era realmente mágico, pois quando a princesa se olhasse no espelho, veria refletido nele, não a sua imagem, mas uma imagem bonita ou feia de sí mesma, consoante estivesse a satisfazer, ou não, as expectativas da mãe, que, segundo ela, eram semelhantes às dos seus subditos.
No inicio, Sofia não se olhava muito no espelho, porque, como era evidente, cada vez que fazia uma asneira, a imagem refletida era a de uma Sofia feia. No entanto, a menina queria tanto sentir-se amada e segura, que, em face às contantes pressões da mãe para que usasse o espelho, cedeu e começou a guiar o seu comportamento pelo que via refletido neste. O que a rainha não sabia era que uma bruxa má havia posto um feitiço no espelho para que este fosse cada vez mais exigente, para que precisasse de comportamentos exemplares para mostrar uma imagem bonita da pessoa que nele se olhasse. E Sofia, sem saber desse estranho feitiço, recorria cada vez mais ao espelho numa tentativa de se sentir amada, compreendida e respeitada. A determinada altura, já não havia, para Sofia, opinião mais real e valiosa que a do espelho, toda a sua auto-estima se baseava na imagem refletida neste. E assim, incapaz de satisfazer a todo o momento as cada vez maiores exigências do espelho, Sofia começou a desesperar, a ficar tão triste, tão triste, que a alegria não passava já senão de uma memória.
No meio dos seus subditos, começou a circular um rumor de que a princesa estava cada vez mais fraca, que caminhava para a morte. Pedro, um rapaz novo e de bom coração, ouviu o rumor, e tendo uma vez visto de relance a beleza da princesa, acreditou que conhecia a solução para os seus problemas. E assim, pediu aos reis uma audiência.
A rainha, afogada em desespero por não conseguir afastar a tristeza da sua filha, concedeu a Pedro a oportunidade para falar com Sofia.
No dia seguinte, Pedro apresentou-se perante Sofia. Esta não olhava senão para o espelho, era como se estivesse hipnotizada pelo reflexo que via nele. Pedro, num gesto meigo, afastou o espelho do campo de visão de Sofia, e os seus olhos encontraram-se. Nos olhos de Pedro, Sofia viu a sua imagem refletida, tal como era, com defeitos e com qualidades, e assim, a ligação cruel que tinha ao espelho quebrou-se. Estava finalmente livre das correias que a haviam atormentado durante tanto tempo. O espelho, irado por ter perdido o poder que detinha sobre a princesa desfez-se em mil pedaços, que como o pó, foram levados por uma subita rajada de vento.
A rainha, ao entender o mal que tinha causado a sua filha, correu e debruçou-se sobre ela, pedindo-lhe desculpa, disse-lhe que o mais importante para ela era a felicidade da filha, e não se importava mais com o que os outros pudessem pensar. Sofia, uma vez livre do espelho, recomeçou a viver a vida que tinha ficado suspensa à tantos anos atrás e, com Pedro, tornou-se mais tarde numa rainha muito feliz.
S

sábado, agosto 25, 2007

Acordar...


Acordei ao som do trovão...forte, impediedoso e altivo...não se importa se interrompe o sono dos justos...não olha a nada...simplesmente existe com a vulgar intolerância da natureza...o sono que tinha ainda me entorpeceu durante alguns segundos...como se estivesse ainda ligada por uma corda invisivel ao mundo dos sonhos...no entanto, a repetição de sons, de relampagos não me deixou mais estar na cama...afinal de contas, Deus estava a proporcionar-me mais um espectaculo...seja de ira, como os antigos acreditavam, ou de outro qualquer sentimento...tanto me faz...gosto sim de ver a natureza a dominar o homem...a expressar o seu poder sobre nós...passamos tanto tempo a interferir nela que acho que está no direito de, de vez em quando nos reduzir aquilo que verdadeiramente somos...espectadores de toda uma peça, que constantemente mudam o curso da história...no entanto, espectadores...

A chuva cai diluviosamente...como se pretendesse limpar, lavar tudo o que está a mais...tudo o que não faz parte...pergunto-me se teria o mesmo efeito em mim...será que se for lá fora me limpa igualmente? me dá uma nova alma? livre e limitada ao essencial?

Com um entusiasmo infantil, procurei a chave da porta da rua....encontrei e quando abri a porta e e olhei para o céu, surgiu na minha mente o pensamento 'O mundo está como eu! Em revolta!'...mas tu...estás em revolta?

Lá fora, o temporal perde força, acalma, descansa... pudesse o meu coração e alma descansar também...para sempre!

terça-feira, agosto 14, 2007

Sh....


Nas memórias do que ainda não foi,

revejo-me num sitio calmo,

uma praia vasta e deserta,

os cabelos a dançar ao som do vento

e o coração a sangrar de tanta dor...

Tento evitar regressar a essa imagem,

luto com a escassa força que me resta,

a minha alma conhece profundamente

o preço alto de rever o futuro,

tão certo como a morte depois da vida...

Não guardo em mim grama de esperança,

tudo o que fui se aniquila aos poucos,

sou um perfume que perdeu a essência,

que perdeu a graça,

que se perdeu para sempre...