terça-feira, setembro 09, 2008

Ilusões...

O tempo escorre-me pelas mãos...assim, de mansinho...silenciosamente, sem deixar rasto. Apenas menos um segundo, um minuto, uma hora...por vezes vivo a ilusão de que faz sentido tentar fecha-las, lutar de forma a conferir a cada minuto roubado, um sentido maior, um propósito que force o cadeado sobre as portas que confinam a esperança, à tanto fechadas para mim... mas rapidamente a ilusão se desfaz. Na realidade, não passa de uma desajeitada pintura de criança, deixada à merce da tormenta de um dia chuvoso... encarquilha com a água... não é mais que um pedaço de papel sem qualquer valor.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Caixinha de Surpresas


A vida não passa de uma caixinha de surpresas…vamos pondo a mão dentro da caixa e cada vez que a retiramos, extraímos uma coisa nova, uma coisa diferente…que permite que a vida seja como um livro em branco… no qual vamos deixando bocados do nosso ser na tinta que se derrama aos poucos nas páginas… de inicio, não passam de manchas deixadas ao acaso… mas à medida que o tempo escorre vão, de forma incompreensível, tomando forma…são desenhos, histórias completas, cheias de diferentes cores e texturas… e o que fazer quando já contámos tudo? Quando já não há tinta em nós, não há originalidade, não há histórias de castelos encantados? Existirá outro caminho além de fechar a caixa? Ela está cheia de vazio!… com cuidado, deixo cair a tampa …e a minha respiração cessa...

domingo, agosto 03, 2008

Bocadinhos de ar


Olhar a desesperança nos olhos é como olhar-me no espelho…reconheço-me nos seus contornos, nas suas rugas …nas histórias que conta e que me recordam do esforço que é respirar…da inutilidade de tudo isso…da estupidez e crescente sensação de que a vida, tal como nos foi dada a conhecer enquanto criança, não passa de um sonho…a beleza do mundo, contrasta com a torpeza da vida… vejo pessoas felizes, pessoas satisfeitas e tudo isso é estranho para mim… viveram a mesma vida que eu? Farão as mesmas questões a sí mesmos? Encontrarão diferentes respostas? Talvez… mas acredito que a pequena botija com que nos abastecemos de sonhos e ilusões já expirou para mim…ou simplesmente o pouco que tenho não é suficiente…será que posso doar o pouco que tenho a alguém? A alguém que faça dele o muito que eu não consigo fazer? É curioso que já me tenham dito que eu tenho o toque de Midas…talvez até o tenha para muitas coisas…mas para o que dá sentido à vida, não tenho... no que é importante, não tenho... não tenho...

sexta-feira, julho 18, 2008

Tristeza...


No cair da tarde sou surpreendida por uma onda de tristeza… uma que chega de mansinho, sem fazer som… distraio-me por breves momentos, e sem que me aperceba, baixo as minhas defesas e cedo caminho à dor que aproveita qualquer cantinho mais escuro do meu ser… Brinca às escondidas comigo, como se de uma criança se tratasse…mas inocência é algo totalmente antagónico à sua natureza… não há nela qualquer vestígio de ingenuidade, de candura, de esperança… é como um tumor que prolifera sem controlo… invade todo o espaço, não deixando lugar à existência de qualquer coisa que não seja ela mesma… O que posso eu fazer? Como luto eu com algo que me conhece, que trata por tu todas as minhas fraquezas?

quinta-feira, julho 03, 2008

Dor...



Já não tenho nada cá dentro… sinto-me vazia de luminosidade, sem sentido, sem esperança… a dor é a minha única companhia nestes momentos de agonia... espero a morte como um momento de piedade… como uma libertação de uma vivência que há muito perdeu a consistência, uma vivência curta, tão previsível que só o seu fim lhe pode conferir alguma imprevisibilidade… recordo-me de, a dada altura da minha existência, presenciar um ser humano que pedia ao céu que lhe fosse concedida misericórdia… nesse momento, não fez sentido… eu não queria, a vida dessa pessoa não lhe pertencia apenas… era de todos… estava imbuída em mim como o meu cheiro, como a minha pele… eu era parte dela e ela de mim… e não entendi… não compreendi o que podia existir de tão horrendo e tão puro ao mesmo tempo, que levasse alguém a suplicar por descanso… algo que de tal forma tomava conta da pessoa que não deixava espaço para mais nada… que tornava o acto de respirar, algo tão inato ao ser humano, como um dos momentos mais dolorosos, mais excruciantes… que sublimam todo um presente…e mais que tudo… aniquilam o futuro… não posso dizer que a minha dor é semelhante à dor dessa pessoa… dor é algo incomparável, algo impossível de se medir… a dor tem como suporte, como instrumento de medida a sensibilidade de cada um… e assim como a dor, a sensibilidade é algo que não se mede… pode talvez fazer-se comparações simplistas, para amenizar a falta de compreensão daqueles que rodeiam o sofrimento… mas nunca é possível ter uma verdadeira noção da dor de um ser… seria para isso necessário que nos libertássemos da nossa pele… e penetrássemos no outro ser… tanto seria diferente… a sensibilidade como tudo o que a ela está subjacente… os sabores seriam diferentes, o tacto, os cheiros, toda uma noção, uma perspectiva do mundo como a que experimentamos, seria algo totalmente díspar… no entanto, apesar da miríade de diferentes modos de sentir, de viver, a dor é algo universal… é uma das linguagens mais básicas, mais simples que existe… talvez seja até a mais bela de todas… a mais significante… a que mais nos desperta para a nossa própria existência e… a que mais constitui motivo para acabarmos com ela...

segunda-feira, junho 30, 2008

Pensamentos...

Vejo-te por entre pequenos pedaços de vidro, grosseiramente colados… como se as mãos de uma criança, que tenta construir um puzzle… reconheço a tua face, mesmo distorcida… mas não oiço a tua voz, não sinto o teu toque… estás longe… sei que estás… sei que estás lá…quero que os meus olhos pousem sobre a tua face… sobre as arestas, sobre os pequenos detalhes que fazem de ti quem és… mas não consigo…o sol bate-me na vista e deixo de ver…procuro-te com as mãos, tentando destruir a barreira que nos separa… quero o teu toque, quero a tua paz e tranquilidade…quero saborear do mel que te compõem, da noção de que faço parte de algo maior… que não me limito aos fracos contornos do meu ser… quero estar contigo… quero ser contigo...

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O vento uiva por entre as árvores...procuras algo sem saber bem o que...passas por rios, por águas revoltas, que não são mais que as lagrimas que conténs no teu coração... tudo és tu... a terra que pisas sem fim, que faz parte de ti, da qual são feitos os teus olhos que guardam sonhos sem fim, as tuas mãos que vão ficando calejadas pelos inumeros momentos em que recorres a elas como o teu único suporte, o teu único método de te manteres um só ser... começas a ficar cansado... as pernas não respondem... o frio entranha-se em ti...sobe pelas tuas costas e aloja-se algo no teu amago sem que percebas...os teus membros deixam de responder... a tua mente refugia-se algures em ti sem que saibas onde... o teu coração já não é... já não existe... há muito que no lugar dele tens um corpo morto... depois de batalhas travadas sem fim, de destroços de ti deixados sozinhos, como minas deixadas ao acaso num terreno bravio... não resistiu... ninguém resistiria... não és... não foste... nem nunca serás...

segunda-feira, junho 23, 2008

Taciturno

No cair da noite, o silêncio avança… como um manto negro e taciturno que se adensa à medida que conquista terreno… penso na vida… no passado…no presente que insiste em não gelar e continuamente transformar-se em passado… afinal, raios, o que é o presente? Só sei defini-lo como o momento entre o passado e o futuro… mas esse momento é tão único, tão frágil, tão inatingível que nem se pode dizer que exista… é um conceito… não passa disso… um axioma, uma hipótese que permite deduzir teorias ou realidades… para mim o presente não é nada… é um empecilho… algo inventado pelo homem que não tem a mínima utilidade… o que interessa fundamentalmente é o passado e o futuro… são estes que contam a história da vida de um homem… que lhe conferem corpo, consistência, matéria…. e o meu passado, o que conta? Sobretudo histórias que prefiro esquecer… histórias de confusão, de contos de crianças misturados com a amarga realidade… histórias que eclipsam o próprio passado… reduzem-no a cinzas… como a fenix… o senão…é que esta só tem uma vida, não renasce… basta pegar nessas mesmas cinzas, lança-las sobre a imensidão do oceano e rogar que essa infinitude de inexistência desapareça com elas… sirva de alimento aos peixes… e uma vez na vida, ou morte, neste caso…seja relevante na história de alguém...

quinta-feira, junho 19, 2008

Toques....

Sinto as mãos irrequietas... como se eu quisesse falar através delas mas não tivesse tempo ou elas não se conseguissem expressar... muitas vezes, as mãos expressam-se bem melhor que a boca... têm uma magia especial...o gesto, o tacto, a cor é algo insonoro... algo delicado, discreto... cheio de novas palavras à espera de ser inventadas, novos conceitos... conceitos que nem precisam dos grilhões da definição... e falam tanto mesmo quando querem estar caladas... revelam segredos, manias, temores, fobias... um mundo de coisas intangíveis... mas no entanto tão poderosas como uma muralha de betão... o inconsciente é a ferramenta mais poderosa que existe dentro de nós... indomável,incontrolável... e as mãos são uma das maiores janela para esse mundo.

sábado, junho 14, 2008

20080612

O vento sopra criando sombras com os ramos das árvores que dançam ao seu sabor... cria sombras chinesas que, como que brincando connosco, transformam as coisas mais simples, nas mais valiosas. A exuberância da natureza instila vida em tudo...nas pedras que, sob o sol, emanam um calor intenso... nas árvores que, de forma totalmente imprevisível, soltam pequenas flores que tocam a nossa pele, como que num gesto de carinho... oiço a água que corre, que inunda de energia a flora ao seu alcance... E em tudo isto, apenas um elemento contrasta, eu mesma... consigo sentir, consigo aperceber-me de toda a vida que me circunda, mas por alguma razão sou imune a ela... não sei se por escolha, se por destino, mas o meu ser é impermeável, estanque, frio... por isso só, triste e inatingível. E o tão vívido contraste entre o mundo que me rodeia e o meu ser só contribui para a minha total aniquilação... só me faz sentir mais estrangeira neste mundo... é como uma mancha negra de sujidade... distingue-se de forma muito mais intensa num tecido branco que num cinzento.
O que devo eu então fazer? Apartar-me da vida? Afastar-me dos passados, presentes e futuros, numa vã tentativa de fugir de mim mesma?
Entretanto a natureza não desiste, a vida não se rende... continua a deixar cair sobre o meu colo, coberto com um vestido branco, pequenas flores amarelas que são, ou eram, curiosamente, a minha cor predilecta em criança... uma... duas... três... já não consigo contar... alguém insiste em não me deixar indiferente...todos os dias tenta de diferentes formas... seguro, impassível, inquebrável... numa palavra, persistente... será ele mais que eu?

20080607

Posso afirmar que conheço bem Lisboa. Conheço as suas ruas, as suas avenidas, os seus costumes e festas. Mas será que alguma vez parei para a ouvir? Será que deixei que me contasse os segredos que encerra em sí? As histórias que as paredes, as calçadas, os lampiões guardam? Tanta história deve Lisboa conhecer...histórias de amor, de sofrimento, de conflitos, de pessoas…em suma. A natureza humana é das histórias mais ricas que existe. É extremamente complexa, extremamente condimentada...cheia de pimenta e açafrão. Séculos e séculos de pessoas certamente que deixaram marcas na cidade. Quem sabe se as ruas não são pavimentadas a esperanças e sonhos? Se as paredes não são pintadas da cor do amor, da amargura ou da alegria? E os cheiros, será que também esses contêm indelevelmente a nossa marca? A marca de desconhecidos, de anónimos cuja vida fica impregnada na cidade? E para os restantes animais? Como será Lisboa para eles? Será que tem o mesmo cheiro, a mesma textura, a mesma história? Ou é uma história completamente diferente, composta por elementos dos quais nem temos conhecimento?
E eu, que marca deixo em ti, Lisboa?

terça-feira, junho 03, 2008

Viver...



Quero viver numa fotografia…tirar uma fotografia minha e entrar lá para dentro… esquecer-me de mim… existir num pedaço de papel onde o tempo não passa, onde não há dilemas, onde não há alegria ou sofrimento excepto o que ficou registado…anseio por uma vida bidimensional onde é tão mais seguro viver… não há cheiros nem tacto… mas há cores… há uma réstia de vida… afinal, não se resume toda a vida a fotografias que se desenrolam como os grãos de areia que atravessam o estreito de uma ampulheta? Porque não então fugir para uma? Uma escolhida especialmente para esse efeito… com alegria, com melancolia, mas sem sofrimento…em que esteja de costas…defronte para uma praia e todo esse momento fique congelado para o sempre… existir para sempre… nesse cantinho de papel...

domingo, junho 01, 2008

Para trás....


O meu ser é como uma folha que cai da arvore no Outono…já nasceu, cresceu…já foi viçosa e cheia de vida…agora só o fraco caule a prende à realidade…a seiva já quase nem percorre os débeis filamentos que me mantêm como uma só estrutura…um só ser…sou morta…e a verdade que guardo em mim aumenta a distância para o abismo…para o momento em que fria, caio no meio do negrume, no meio do desespero e do esquecimento…para passar a ser lixo ou então pisada, destruída, aniquilada…depois talvez o vento me leve…talvez apague da vida todos os momentos e as memórias que me acompanharam…talvez traga mais vida ao rasto de morte deixo para trás…às folhas que me rodeavam…às arvores que me tratavam como uma filha…ao pássaro que todos os dias de manha me cumprimentava e me deixava sentir a suavidade das suas penas…que brindava a minha simples existência com um fugaz lampejo de quietude e de tranquilidade. Espero pacientemente o momento em que suavemente me desprendo do pouco que me sustêm e finalmente olho para trás e esqueço o que passei, o que senti, esqueço que alguma vez a vida fez parte da minha história…recuso-me a ter coração, a agitação que o aflige é incontrolável…sinto-me como um pequeno barco que se afunda num mar de tormenta, num mar de solidão e silêncio…de vazio de sentido…sem rumo, perdido…nem a lua tenho como companhia…nos raros momentos em que se deixou ser vista por mim, perguntei-lhe o porque de tudo isto…o porque de a vida ser assim…o porque de a felicidade ser apenas o reflexo da tristeza num espelho…uma não existe sem a outra…e respostas…essas nunca tive…não passaram de sussurros, de ruídos incompreensíveis…talvez numa tentativa de me enganar…de me fazer crer que era possível haver um depois…mas esse tempo já se esgotou…só me basta esperar o inevitável...deixar de respirar...

quinta-feira, maio 15, 2008

Saudades



Tenho saudades do campo…de passear sem limites, sem preocupações…de correr, de andar sem rumo…de cair na terra, rebolar-me e saborear a vida na palma das minha mãos…na realidade só encontro a minha essência, a minha razão de existir no campo…no meio do chilrear dos pássaros, numa caminhada debaixo de uma torrente de chuva, num trocar de olhar com uma ovelha…só ai a vida me toca…me passa por entre os dedos…me queima a pele…me mostra que a minha existência faz tanto parte do grande plano como uma flor pela qual passo ou num lago onde me detenho…e é essa tranquilidade de existir que sinto…essa noção de que no fundo, tudo faz sentido, tudo faz falta…e que, na realidade, existir é o maior privilegio porque me permite contemplar tudo o que existe…só na existência de tudo…a minha faz própria sentido...


quinta-feira, maio 08, 2008

Escorre....

O tempo passa estupidamente alheio a tudo o que o rodeia…Tentamos interferir nele, fazer com que se mova mais rápido …ou mais devagar, consoante a nossa vontade…mas ele continua…sempre igual a si mesmo…sem perdoar a nada nem a ninguém…O sol nasce…põe-se…e já nos habituamos a esse ciclo sem fim, que, à excepção de algumas nuances, se mantém inalterável de tal forma, que um dia acordamos, olhamo-nos no espelho, e reparamos que já nos resta pouco tempo…afinal de contas, todos guardamos religiosamente uma pequena mão cheia de tempo…que é limitado…e que muitas vezes nem sequer conseguimos evitar que nos fuja pelos dedos…com frequência, temos até os dedos afastados e ele escorre por entre eles como água…Que andamos nós a fazer com o que nos resta?

terça-feira, maio 06, 2008

Não sei porque...

Não sei porque escrevo....talvez pensem que escrevo para ser 'ouvida' por alguém...outros poderão pensar que o faço por catarse, como uma forma de afastar de mim o infindável negrume que me circunda e atormenta. Para ser sincera, não sei porque escrevo, não consigo nunca chegar a conclusões, nem sequer a soluções, após rever os meus escritos. Talvez escreva para afirmar que existo...que a vida que me é roubada na realidade existe algures, nem que num mísero pedaço de papel. Perguntam vocês se um pedaço de papel pode constituir prova da existência de alguém....Não sei, mas também não sou a pessoa mais adequada para responder a essa questão. Só posso atestar que tem sido essa personagem de papel, frágil, inacessível, instável, que me ajuda a acreditar que ainda vivo e respiro…É pateticamente a única forma que encontro de existir...

quarta-feira, abril 23, 2008

Medições...outras coisas mais...

Porque será que somos conduzidos a medir tudo o que nos rodeia? Porque medimos tão bem o tempo, o dinheiro, a felicidade, tudo? Qual a razão obscura que nos leva a ser morbidamente obcecados pela necessidade de medir? Na realidade…a medição só faz sentido na comparação…para quê me interessa medir algo se não o posso comparar com nada? Simplesmente não faz sentido… O que nos conduz à raiz da questão…Como seria o ser humano se apenas existisse um espécime em toda a Terra? Será que seria igualmente obcecado em medidas? Será que o controlo seria algo tão importante como é nos dias de hoje? Ou será que era alguém mais desprendido, mais tranquilo? Não sei…o que sei é que seria infinitamente mais infeliz…afinal de contas o ser humano é um ser social por natureza…pode estar sozinho, mas tem que criar raízes…tem que ter algo familiar, que o conforte…É curioso pensar que nós, como seres humanos, procuramos amizades noutros animais…gostamos de gatos, cães, ratos, cobras…sei lá…Até nos desenhos animados para crianças, vemos que essa ideia está subjacente…Por exemplo, no filme 'Madagascar', os animais de diferentes espécies são amigos…temos uma girafa, um leão e uma zebra…que confessemos…não são a combinação mais frequente no mundo da selva real…mas no entanto, o ser humano necessita criar laços, até com outras espécies…será que é porque pensa encontrar ai uma razão para a sua existência? Será?

sexta-feira, abril 18, 2008

Sabores...

Um sopro passou por mim...não sei o que fez, não sei o que deixou ou levou...mas não fiquei igual...o meu coração já não bate sozinho...bate ao mesmo ritmo de todos os relógios do mundo...bate ao mesmo ritmo com que os grãos de areia atravessam pacientemente a passagem para o outro precipício...olho para dentro e sinto vertigens...tenho mil mundo cheios de sonhos, de pimenta e sal, prontos para brotar...mas para quê? para a aridez da vida? para o terrível buraco negro que as espera cá fora...capaz de tudo sugar, alegria, coragem, esperança? quero poupar o meu imaginário a esse sacrificio...na vertigem, perco as forças...quero saborear tudo ao mesmo tempo...mil cores, mil cheiros, quero beber milhoes e milhoes de sensações e encerrar cada uma numa caixinha, catalogada, para saber verdadeiramente a que sabe a vida...conheces tu, o sabor da vida? Sabes se é adocicada? Amarga? Se te faz cocegas no estomago ou te dá dores de barriga? Eu não sei...Sabes tu?

segunda-feira, março 03, 2008

Ruídos Silenciosos...

Quando penso em quem sou quando estou com outras pessoas fico intrigada...olho para mim e não me reconheço...pareço ser uma pessoa com problemas, mas que ri, que brinca, que encerra alguma magia dentro de sí...nada como a imagem que tenho de mim mesma...uma pessoa triste, desesperançosa, que suga toda a alegria de quem a rodeia...sou um enigma para mim mesma pela simples razão que não sei quem sou...não sei de que material sou feita...reconheço a minha face num espelho...sim...posso dizer mil características minhas, que apenas me definem como cidadã...o meu número de BI, o meu número de contribuinte...posso também citar outras características...físicas, por exemplo...posso dizer que tenho cabelo castanho, olhos rasgados, igualmente castanhos...mas quando começo a tentar descrever-me psicologicamente, não tenho palavras...se me extraissem o involucro e me colocassem em frente a um espelho, penso que não saberia quem era...não sei que forma tem o meu ser interior...não sei sequer se tenho limites, se não passo de extensão de outros seres...posso ser como o ar, que se expande com o calor...posso fazer parte de mil e um seres, e assim constituir a natureza...sei lá...posso até não existir...bem...segundo decartes, o simples facto de eu estar a escrever estas palavras é prova de que existo...será realmente assim? Não posso eu estar a viver na imaginação de um ser pensante? Não pode a minha pele, rosto, corpo, pensamento, ser apenas um mero fruto de uma mente fértil? Assim sendo, os meus pensamentos não passariam de pensamentos de outro ser qualquer...e eu não tinha qualquer existência...e os sentimentos? A dor? Não pode ser utilizada como critério para avaliar a minha existência? Será que se eu sinto, eu existo? Ou até mais especificamente, será que se eu sofro, eu existo? Será que a dor não passa de uma prova menos feliz de que existo? E se eu não sofrer? E se eu não sentir? E se eu não pensar? Não existo? O que é existir afinal? Algo que só posso saber que acontece como consequência de algo? Não o consigo definir de uma forma simples e clara, sem recurso à observação de 'sintomas' de que existo? Existir? O que é? Alguém sabe? O que acontece quando não existo? Como é que diferencio o não existir do existir? Posso eu dizer que se não penso, não sinto, não respiro, não existo? Como posso eu chegar a tal conclusão? Como é que sequer posso alguma vez ter consciência de que não existo? Bem...acho que é melhor ir reflectir sobre o estado do tempo...ou que filmes vão passar na televisão hoje...Estou cansada de existir por hoje...

sábado, fevereiro 23, 2008

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Guardas o quê? Sonhos?



O que guardas tu no cantinho do teu ser? Que sonhos, que ilusões feitas de algodão? Que gritos e sorrisos? Que nuvens e sol radiante? Porque és tu essa mistura feita de lágrimas e de riso? Porque és tu criança livre a correr num prado cheio de flores e ao mesmo tempo, idosa amargurada defronte da lareira? Que dualidade encerras tu, minha pequena, na tua tão estranha cabeça? Sim, cabeça estranha a tua…feita de espigas de trigo coladas com mel…repleta de pássaros de todas as cores que voam sem rumo mal encontram um buraquinho por onde fugir…deslizam com tanta velocidade e tão perto que quase nos levam as ideias…agarra-as…agarra-as…põe o chapéu, vá…rápido que lá vêem eles…não os deixes levar as tuas ideias…deixa-os levar apenas o teu coração...