sábado, dezembro 20, 2008

A vida? Essa é só para quem consegue...

Não conheço as regras deste jogo...duvido até que alguém conheça...simplesmente preferem não pensar nisso. Jogam tremulamente com mãos vazias de figuras, mas com palavras cheias de segurança. Talvez as regras sejam estas...fingir que não existem. Pela minha experiência pessoal, posso garantir que é uma estratégia pouco eficaz. Mais tarde ou mais cedo, esbarramos com a dura realidade, e ai, mesmo cegos, somos obrigados a ver. Melhor seria ser realista. Realista significa ser frio? Talvez... Se sim, então é algo que sou absolutamente incapaz de ser...existem momentos, raros, devo confessar, em que quase acredito que é possível... mas logo a dor me surge do vazio, a comoção toma conta de mim e deixa-me só e incapaz... Por vezes dizem-me para não ligar… mas como posso eu fazer isso? Como sei ao que devo ligar, no meio de tanta diversidade de situações? Como posso eu sequer respirar se não ligar a nada? Vivo para quê, então? Para uma vida fútil? Uma vida vazia de sentido? De vontade? De emoção? Não ligar é apenas uma das várias caras da indiferença…se assim for, então porque não ser uma pedra? Uma onda do mar? Um grão de areia? Se a única comoção a viver é a dos outros…então prefiro ser inanimada…talvez assim alguém pegue em mim e sinta algo…talvez eu signifique algo para alguém…

Private Investigation

It's a mystery to me - the game commences
for the usual fee - plus expenses
confidential information - it's not a public inquiry
I go checking out the reports - digging up the dirt
you get to meet all sorts in this line of work
treachery and treason - there's always an excuse for it
and when I find the reason I still can't get used to it
And what have you got at the end of the day?
what have you got to take away?
a bottle of whisky and a new set of lies
blinds on the windows and a pain behind the eyes
Scarred for life - nocompensation
private investigations

domingo, novembro 23, 2008

Continuação de 'Coisas'....

Uma gota de água, caída dos meus cabelos molhados, percorre-me as costas…sinto-a ganhar terreno, a desviar-se a cada obstáculo que encontra… será que o seu percurso tem alguma relevância? Se ela se desviar para a direita, ou para a esquerda, quais serão as consequências? E se ela simplesmente desaparecesse…ou até passasse para outra superfície…um chão, um tecido, um corpo, que impacto teria essa nova realidade? De uma gota de água…talvez não venha grande mal …mas e se for de uma vida? Qual o impacto de uma vida, se vira à direita ou à esquerda? É interessante que, antes de escrever ‘se vira à direita’ escrevi ‘se decidisse virar à direita’…é hilariante, até ridículo, que eu possa ter cometido esse erro tão infantil…já tenho idade, consciência, experiência, sei lá o que, para saber que neste mundo, não se decide nada…simplesmente se esbarra com os caminhos…haverá alguém que decide? Não sei, talvez… mas é inútil sequer sonhar, que somos nós que as tomamos… e no entanto, sempre é mais fácil descer a acreditar que efectivamente decidimos alguma coisa… Mas é interessante, como no nosso mundo somos tão impotentes como uma gota de água que escorre… não há nada que possa fazer para travar a sua descida… é como o tempo que passa sem que o controlemos…simplesmente passa…e não há nada que possamos fazer sobre isso… é verdade que no aspecto físico, lá vamos investindo esforços para que o exterior não se degrade tanto…é como se tentássemos impedir que a descida em direcção ao final surtisse efeito sobre o nosso exterior… agora, sobre o interior físico, ou mais importante, relativamente ao nosso interior incorpóreo, é uma luta ingrata… pelo menos… hum… a menos que… bem… haverá algum ambiente gravidade zero no mundo do incorpóreo?

sábado, novembro 15, 2008

Coisas...

Chove copiosamente lá fora. O som da água a cair é tão ensurdecedor, que quase o confundo com o bater do meu coração… é certo que com o tempo, bate mais lento, mais fraco, mais tímido….mas ainda é suficiente para me fazer acordar mais uma vez, para um dia que não tem nada de novo para me oferecer…De resto, é algo que eu devia ter percebido há muito… mas enfim…sou assim… O mundo parece uma porta aberta, uma infinitude de possíveis escolhas, de 'se's… mas o peso dos 'se's que não escolhemos, abate-se sobre nós com tamanha força, que nos rouba espaço, tempo e forças, para tentarmos procurar outros 'se's… talvez a vida seja assim… um mundo de possibilidades, que na realidade se resumem a uma sequência aleatória e tortuosa de escolhas… talvez na realidade nunca tenhamos tido outra hipotese senão a que escolhemos…melhor ainda, talvez a tenhamos escolhido mesmo por isso, porque não havia outra, mas preferimos acreditar que era uma escolha…quando na realidade era uma certeza…se me permitirem a liberdade, arriscaria até a utilizar o termo de condenação…sei que essa ideia torna a vida ridícula e vazia, desprovida de fantasia, de sonhos e alegrias… mas é a verdade…e se há que a enfrentar mais cedo ou mais tarde, que seja então mais cedo…talvez o mais cedo se torne o mais tarde…who knows?

quarta-feira, outubro 01, 2008

Why worry ....Dire Straits...

Baby I see this world has made you sad
Some people can be bad
The things they do, the things they say
But baby I'll wipe away those bitter tears
I'll chase away those restless fears
That turn your blue skies into grey
Why worry, there should be laughter after pain
There should be sunshine after rain
These things have always been the same
So why worry now
Baby when I get down I turn to you
And you make sense of what I do
I know it isn't hard to say
But baby just when this world seems mean and cold
Our love comes shining red and gold
And all the rest is by the way
Why worry, there should be laughter after pain
There should be sunshine after rain
These things have always been the same
So why worry now
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Where is my shunshine?
How much more do i have to wait?
How much more do i have to suffer?

terça-feira, setembro 09, 2008

Ilusões...

O tempo escorre-me pelas mãos...assim, de mansinho...silenciosamente, sem deixar rasto. Apenas menos um segundo, um minuto, uma hora...por vezes vivo a ilusão de que faz sentido tentar fecha-las, lutar de forma a conferir a cada minuto roubado, um sentido maior, um propósito que force o cadeado sobre as portas que confinam a esperança, à tanto fechadas para mim... mas rapidamente a ilusão se desfaz. Na realidade, não passa de uma desajeitada pintura de criança, deixada à merce da tormenta de um dia chuvoso... encarquilha com a água... não é mais que um pedaço de papel sem qualquer valor.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Caixinha de Surpresas


A vida não passa de uma caixinha de surpresas…vamos pondo a mão dentro da caixa e cada vez que a retiramos, extraímos uma coisa nova, uma coisa diferente…que permite que a vida seja como um livro em branco… no qual vamos deixando bocados do nosso ser na tinta que se derrama aos poucos nas páginas… de inicio, não passam de manchas deixadas ao acaso… mas à medida que o tempo escorre vão, de forma incompreensível, tomando forma…são desenhos, histórias completas, cheias de diferentes cores e texturas… e o que fazer quando já contámos tudo? Quando já não há tinta em nós, não há originalidade, não há histórias de castelos encantados? Existirá outro caminho além de fechar a caixa? Ela está cheia de vazio!… com cuidado, deixo cair a tampa …e a minha respiração cessa...

domingo, agosto 03, 2008

Bocadinhos de ar


Olhar a desesperança nos olhos é como olhar-me no espelho…reconheço-me nos seus contornos, nas suas rugas …nas histórias que conta e que me recordam do esforço que é respirar…da inutilidade de tudo isso…da estupidez e crescente sensação de que a vida, tal como nos foi dada a conhecer enquanto criança, não passa de um sonho…a beleza do mundo, contrasta com a torpeza da vida… vejo pessoas felizes, pessoas satisfeitas e tudo isso é estranho para mim… viveram a mesma vida que eu? Farão as mesmas questões a sí mesmos? Encontrarão diferentes respostas? Talvez… mas acredito que a pequena botija com que nos abastecemos de sonhos e ilusões já expirou para mim…ou simplesmente o pouco que tenho não é suficiente…será que posso doar o pouco que tenho a alguém? A alguém que faça dele o muito que eu não consigo fazer? É curioso que já me tenham dito que eu tenho o toque de Midas…talvez até o tenha para muitas coisas…mas para o que dá sentido à vida, não tenho... no que é importante, não tenho... não tenho...

sexta-feira, julho 18, 2008

Tristeza...


No cair da tarde sou surpreendida por uma onda de tristeza… uma que chega de mansinho, sem fazer som… distraio-me por breves momentos, e sem que me aperceba, baixo as minhas defesas e cedo caminho à dor que aproveita qualquer cantinho mais escuro do meu ser… Brinca às escondidas comigo, como se de uma criança se tratasse…mas inocência é algo totalmente antagónico à sua natureza… não há nela qualquer vestígio de ingenuidade, de candura, de esperança… é como um tumor que prolifera sem controlo… invade todo o espaço, não deixando lugar à existência de qualquer coisa que não seja ela mesma… O que posso eu fazer? Como luto eu com algo que me conhece, que trata por tu todas as minhas fraquezas?

quinta-feira, julho 03, 2008

Dor...



Já não tenho nada cá dentro… sinto-me vazia de luminosidade, sem sentido, sem esperança… a dor é a minha única companhia nestes momentos de agonia... espero a morte como um momento de piedade… como uma libertação de uma vivência que há muito perdeu a consistência, uma vivência curta, tão previsível que só o seu fim lhe pode conferir alguma imprevisibilidade… recordo-me de, a dada altura da minha existência, presenciar um ser humano que pedia ao céu que lhe fosse concedida misericórdia… nesse momento, não fez sentido… eu não queria, a vida dessa pessoa não lhe pertencia apenas… era de todos… estava imbuída em mim como o meu cheiro, como a minha pele… eu era parte dela e ela de mim… e não entendi… não compreendi o que podia existir de tão horrendo e tão puro ao mesmo tempo, que levasse alguém a suplicar por descanso… algo que de tal forma tomava conta da pessoa que não deixava espaço para mais nada… que tornava o acto de respirar, algo tão inato ao ser humano, como um dos momentos mais dolorosos, mais excruciantes… que sublimam todo um presente…e mais que tudo… aniquilam o futuro… não posso dizer que a minha dor é semelhante à dor dessa pessoa… dor é algo incomparável, algo impossível de se medir… a dor tem como suporte, como instrumento de medida a sensibilidade de cada um… e assim como a dor, a sensibilidade é algo que não se mede… pode talvez fazer-se comparações simplistas, para amenizar a falta de compreensão daqueles que rodeiam o sofrimento… mas nunca é possível ter uma verdadeira noção da dor de um ser… seria para isso necessário que nos libertássemos da nossa pele… e penetrássemos no outro ser… tanto seria diferente… a sensibilidade como tudo o que a ela está subjacente… os sabores seriam diferentes, o tacto, os cheiros, toda uma noção, uma perspectiva do mundo como a que experimentamos, seria algo totalmente díspar… no entanto, apesar da miríade de diferentes modos de sentir, de viver, a dor é algo universal… é uma das linguagens mais básicas, mais simples que existe… talvez seja até a mais bela de todas… a mais significante… a que mais nos desperta para a nossa própria existência e… a que mais constitui motivo para acabarmos com ela...

segunda-feira, junho 30, 2008

Pensamentos...

Vejo-te por entre pequenos pedaços de vidro, grosseiramente colados… como se as mãos de uma criança, que tenta construir um puzzle… reconheço a tua face, mesmo distorcida… mas não oiço a tua voz, não sinto o teu toque… estás longe… sei que estás… sei que estás lá…quero que os meus olhos pousem sobre a tua face… sobre as arestas, sobre os pequenos detalhes que fazem de ti quem és… mas não consigo…o sol bate-me na vista e deixo de ver…procuro-te com as mãos, tentando destruir a barreira que nos separa… quero o teu toque, quero a tua paz e tranquilidade…quero saborear do mel que te compõem, da noção de que faço parte de algo maior… que não me limito aos fracos contornos do meu ser… quero estar contigo… quero ser contigo...

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O vento uiva por entre as árvores...procuras algo sem saber bem o que...passas por rios, por águas revoltas, que não são mais que as lagrimas que conténs no teu coração... tudo és tu... a terra que pisas sem fim, que faz parte de ti, da qual são feitos os teus olhos que guardam sonhos sem fim, as tuas mãos que vão ficando calejadas pelos inumeros momentos em que recorres a elas como o teu único suporte, o teu único método de te manteres um só ser... começas a ficar cansado... as pernas não respondem... o frio entranha-se em ti...sobe pelas tuas costas e aloja-se algo no teu amago sem que percebas...os teus membros deixam de responder... a tua mente refugia-se algures em ti sem que saibas onde... o teu coração já não é... já não existe... há muito que no lugar dele tens um corpo morto... depois de batalhas travadas sem fim, de destroços de ti deixados sozinhos, como minas deixadas ao acaso num terreno bravio... não resistiu... ninguém resistiria... não és... não foste... nem nunca serás...

segunda-feira, junho 23, 2008

Taciturno

No cair da noite, o silêncio avança… como um manto negro e taciturno que se adensa à medida que conquista terreno… penso na vida… no passado…no presente que insiste em não gelar e continuamente transformar-se em passado… afinal, raios, o que é o presente? Só sei defini-lo como o momento entre o passado e o futuro… mas esse momento é tão único, tão frágil, tão inatingível que nem se pode dizer que exista… é um conceito… não passa disso… um axioma, uma hipótese que permite deduzir teorias ou realidades… para mim o presente não é nada… é um empecilho… algo inventado pelo homem que não tem a mínima utilidade… o que interessa fundamentalmente é o passado e o futuro… são estes que contam a história da vida de um homem… que lhe conferem corpo, consistência, matéria…. e o meu passado, o que conta? Sobretudo histórias que prefiro esquecer… histórias de confusão, de contos de crianças misturados com a amarga realidade… histórias que eclipsam o próprio passado… reduzem-no a cinzas… como a fenix… o senão…é que esta só tem uma vida, não renasce… basta pegar nessas mesmas cinzas, lança-las sobre a imensidão do oceano e rogar que essa infinitude de inexistência desapareça com elas… sirva de alimento aos peixes… e uma vez na vida, ou morte, neste caso…seja relevante na história de alguém...

quinta-feira, junho 19, 2008

Toques....

Sinto as mãos irrequietas... como se eu quisesse falar através delas mas não tivesse tempo ou elas não se conseguissem expressar... muitas vezes, as mãos expressam-se bem melhor que a boca... têm uma magia especial...o gesto, o tacto, a cor é algo insonoro... algo delicado, discreto... cheio de novas palavras à espera de ser inventadas, novos conceitos... conceitos que nem precisam dos grilhões da definição... e falam tanto mesmo quando querem estar caladas... revelam segredos, manias, temores, fobias... um mundo de coisas intangíveis... mas no entanto tão poderosas como uma muralha de betão... o inconsciente é a ferramenta mais poderosa que existe dentro de nós... indomável,incontrolável... e as mãos são uma das maiores janela para esse mundo.

sábado, junho 14, 2008

20080612

O vento sopra criando sombras com os ramos das árvores que dançam ao seu sabor... cria sombras chinesas que, como que brincando connosco, transformam as coisas mais simples, nas mais valiosas. A exuberância da natureza instila vida em tudo...nas pedras que, sob o sol, emanam um calor intenso... nas árvores que, de forma totalmente imprevisível, soltam pequenas flores que tocam a nossa pele, como que num gesto de carinho... oiço a água que corre, que inunda de energia a flora ao seu alcance... E em tudo isto, apenas um elemento contrasta, eu mesma... consigo sentir, consigo aperceber-me de toda a vida que me circunda, mas por alguma razão sou imune a ela... não sei se por escolha, se por destino, mas o meu ser é impermeável, estanque, frio... por isso só, triste e inatingível. E o tão vívido contraste entre o mundo que me rodeia e o meu ser só contribui para a minha total aniquilação... só me faz sentir mais estrangeira neste mundo... é como uma mancha negra de sujidade... distingue-se de forma muito mais intensa num tecido branco que num cinzento.
O que devo eu então fazer? Apartar-me da vida? Afastar-me dos passados, presentes e futuros, numa vã tentativa de fugir de mim mesma?
Entretanto a natureza não desiste, a vida não se rende... continua a deixar cair sobre o meu colo, coberto com um vestido branco, pequenas flores amarelas que são, ou eram, curiosamente, a minha cor predilecta em criança... uma... duas... três... já não consigo contar... alguém insiste em não me deixar indiferente...todos os dias tenta de diferentes formas... seguro, impassível, inquebrável... numa palavra, persistente... será ele mais que eu?

20080607

Posso afirmar que conheço bem Lisboa. Conheço as suas ruas, as suas avenidas, os seus costumes e festas. Mas será que alguma vez parei para a ouvir? Será que deixei que me contasse os segredos que encerra em sí? As histórias que as paredes, as calçadas, os lampiões guardam? Tanta história deve Lisboa conhecer...histórias de amor, de sofrimento, de conflitos, de pessoas…em suma. A natureza humana é das histórias mais ricas que existe. É extremamente complexa, extremamente condimentada...cheia de pimenta e açafrão. Séculos e séculos de pessoas certamente que deixaram marcas na cidade. Quem sabe se as ruas não são pavimentadas a esperanças e sonhos? Se as paredes não são pintadas da cor do amor, da amargura ou da alegria? E os cheiros, será que também esses contêm indelevelmente a nossa marca? A marca de desconhecidos, de anónimos cuja vida fica impregnada na cidade? E para os restantes animais? Como será Lisboa para eles? Será que tem o mesmo cheiro, a mesma textura, a mesma história? Ou é uma história completamente diferente, composta por elementos dos quais nem temos conhecimento?
E eu, que marca deixo em ti, Lisboa?

terça-feira, junho 03, 2008

Viver...



Quero viver numa fotografia…tirar uma fotografia minha e entrar lá para dentro… esquecer-me de mim… existir num pedaço de papel onde o tempo não passa, onde não há dilemas, onde não há alegria ou sofrimento excepto o que ficou registado…anseio por uma vida bidimensional onde é tão mais seguro viver… não há cheiros nem tacto… mas há cores… há uma réstia de vida… afinal, não se resume toda a vida a fotografias que se desenrolam como os grãos de areia que atravessam o estreito de uma ampulheta? Porque não então fugir para uma? Uma escolhida especialmente para esse efeito… com alegria, com melancolia, mas sem sofrimento…em que esteja de costas…defronte para uma praia e todo esse momento fique congelado para o sempre… existir para sempre… nesse cantinho de papel...

domingo, junho 01, 2008

Para trás....


O meu ser é como uma folha que cai da arvore no Outono…já nasceu, cresceu…já foi viçosa e cheia de vida…agora só o fraco caule a prende à realidade…a seiva já quase nem percorre os débeis filamentos que me mantêm como uma só estrutura…um só ser…sou morta…e a verdade que guardo em mim aumenta a distância para o abismo…para o momento em que fria, caio no meio do negrume, no meio do desespero e do esquecimento…para passar a ser lixo ou então pisada, destruída, aniquilada…depois talvez o vento me leve…talvez apague da vida todos os momentos e as memórias que me acompanharam…talvez traga mais vida ao rasto de morte deixo para trás…às folhas que me rodeavam…às arvores que me tratavam como uma filha…ao pássaro que todos os dias de manha me cumprimentava e me deixava sentir a suavidade das suas penas…que brindava a minha simples existência com um fugaz lampejo de quietude e de tranquilidade. Espero pacientemente o momento em que suavemente me desprendo do pouco que me sustêm e finalmente olho para trás e esqueço o que passei, o que senti, esqueço que alguma vez a vida fez parte da minha história…recuso-me a ter coração, a agitação que o aflige é incontrolável…sinto-me como um pequeno barco que se afunda num mar de tormenta, num mar de solidão e silêncio…de vazio de sentido…sem rumo, perdido…nem a lua tenho como companhia…nos raros momentos em que se deixou ser vista por mim, perguntei-lhe o porque de tudo isto…o porque de a vida ser assim…o porque de a felicidade ser apenas o reflexo da tristeza num espelho…uma não existe sem a outra…e respostas…essas nunca tive…não passaram de sussurros, de ruídos incompreensíveis…talvez numa tentativa de me enganar…de me fazer crer que era possível haver um depois…mas esse tempo já se esgotou…só me basta esperar o inevitável...deixar de respirar...

quinta-feira, maio 15, 2008

Saudades



Tenho saudades do campo…de passear sem limites, sem preocupações…de correr, de andar sem rumo…de cair na terra, rebolar-me e saborear a vida na palma das minha mãos…na realidade só encontro a minha essência, a minha razão de existir no campo…no meio do chilrear dos pássaros, numa caminhada debaixo de uma torrente de chuva, num trocar de olhar com uma ovelha…só ai a vida me toca…me passa por entre os dedos…me queima a pele…me mostra que a minha existência faz tanto parte do grande plano como uma flor pela qual passo ou num lago onde me detenho…e é essa tranquilidade de existir que sinto…essa noção de que no fundo, tudo faz sentido, tudo faz falta…e que, na realidade, existir é o maior privilegio porque me permite contemplar tudo o que existe…só na existência de tudo…a minha faz própria sentido...


quinta-feira, maio 08, 2008

Escorre....

O tempo passa estupidamente alheio a tudo o que o rodeia…Tentamos interferir nele, fazer com que se mova mais rápido …ou mais devagar, consoante a nossa vontade…mas ele continua…sempre igual a si mesmo…sem perdoar a nada nem a ninguém…O sol nasce…põe-se…e já nos habituamos a esse ciclo sem fim, que, à excepção de algumas nuances, se mantém inalterável de tal forma, que um dia acordamos, olhamo-nos no espelho, e reparamos que já nos resta pouco tempo…afinal de contas, todos guardamos religiosamente uma pequena mão cheia de tempo…que é limitado…e que muitas vezes nem sequer conseguimos evitar que nos fuja pelos dedos…com frequência, temos até os dedos afastados e ele escorre por entre eles como água…Que andamos nós a fazer com o que nos resta?

terça-feira, maio 06, 2008

Não sei porque...

Não sei porque escrevo....talvez pensem que escrevo para ser 'ouvida' por alguém...outros poderão pensar que o faço por catarse, como uma forma de afastar de mim o infindável negrume que me circunda e atormenta. Para ser sincera, não sei porque escrevo, não consigo nunca chegar a conclusões, nem sequer a soluções, após rever os meus escritos. Talvez escreva para afirmar que existo...que a vida que me é roubada na realidade existe algures, nem que num mísero pedaço de papel. Perguntam vocês se um pedaço de papel pode constituir prova da existência de alguém....Não sei, mas também não sou a pessoa mais adequada para responder a essa questão. Só posso atestar que tem sido essa personagem de papel, frágil, inacessível, instável, que me ajuda a acreditar que ainda vivo e respiro…É pateticamente a única forma que encontro de existir...